Espetáculo 'Nem mesmo todo o oceano' em cartaz no Rio neste fim de semana

Em duas apresentações, peça é um thriller contemporâneo dentro de um romance histórico

O espetáculo 'Nem mesmo todo o oceano' estará em cartaz no teatro dulcina neste fim de semana para duas apresentações: sábado (25) e domingo (26), as 19h.

Com adaptação e direção de Inez Viana e interpretada pela Cia OmondÉ, a peça é um thriller contemporâneo dentro de um romance histórico. 

'Nem mesmo todo o oceano' é antes de tudo, um romance de geração e de ideias onde Alcione Araújo levanta questões de ética e valores.

Em 794 páginas, ele conta a história de um imaginário médico recém-formado, desde a sua difícil infância de menino pobre, no interior de Minas, os primeiros tempos de estudante, vivendo em pensões no Rio de Janeiro, as decepções amorosas, as frustrações existenciais, a difícil sobrevivência em meio às feras do asfalto selvagem, enfatizando sobretudo o seu processo de perversão espiritual. 

"Ano que vem, serão lembrados os 50 anos da ditadura", disse-me Alcione Araújo, no nosso último encontro, sobre a minha adaptação para o teatro de seu Romance de 794 páginas, 'Nem mesmo todo o oceano'. Não havia me dado conta. Mas a conta era fato. 1964...2014. Enquanto a Comissão da Verdade tenta apurar fatos, até então obscuros, dos anos de chumbo, tive a certeza: é chegado o momento de vir à tona essa história que me persegue e me fascina há 13 anos e que, desde o primeiro momento que a li, sabia que um dia teria que montá-la" Inez Viana.

A história do rapaz pobre, que se sacrificou de todas as maneiras, até conseguir se formar em médico no Rio de Janeiro, teve memoráveis experiências sexuais, se casou com a burguesa Elisa. Por ter sido tão alienado e ingênuo, sua apatia política o levou a ter um envolvimento fatal com o DOI-CODI e que, inacreditavelmente, se transformou num dos médicos legistas da ditadura, tendo um fim surpreendente e trágico.

Perguntas transcendentais se colocam em abundância - sobre o amor, a raiva, a liberdade, a repressão, a riqueza e a pobreza, o bom e o mal em suas manifestações que nos são tão familiares. Até mesmo a teoria comunista versus a realidade capitalista - tão fortemente debatido durante o período - goza de uma presença imponente. Por fim, essas teses são inevitavelmente enterradas na unidade familiar disfuncional, devastada pelo abuso e pela traição.  Na peça, assim como no romance, fatos reais se misturam à ficção trazendo imediata identificação de uma das mais agravantes e dolorosas épocas do país: a era da inocência perdida.

Inez Viana

Atriz e diretora teatral, Inez Viana é formada pela C.A.L. e reúne em seu currículo mais de 20 peças, filmes, novelas e shows. Dona de uma voz privilegiada, ela passeia entre palcos e microfones com desenvoltura.

A OmondÉ

A Cia OmondÉ surgiu, no final do ano de 2009, da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea (tendo como grande mentor o diretor inglês Peter Brook), fossem concomitantemente estudados. Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice e não passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo. Atualmente, a CIA é formada por dois mineiros, um potiguar, um paraibano, um paranaense e cinco cariocas.

Ficha técnica

Da Obra de Alcione Araújo

Adaptação e Direção: Inez Viana

Direção de Produção: Claudia Marques

Elenco: Cia OmondÉ  - Leonardo Bricio , Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell

Consultoria Dramatúrgica: Pedro Kosovski

Iluminação: Renato Machado

Figurino: Flávio Souza

Direção Musical: Marcelo Alonso Neves  

Programação Visual: Dulce Lobo

Assistentes de Direção: Carolina Pismel, Débora Lamm e Juliane Bodini

Produção Executiva: Rafael Faustini e Jéssica Santiago 

Realização: Fábrica de Eventos e Cia OmondÉ

Serviço: Nem mesmo todo o Oceano, da obra de Alcione Araújo

Data: 25 e 26 de julho, as 19h

Local: Teatro Dulcina - Rua Alcindo Guanabara, 17 - Cinelândia

Ingresso: R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Classificação: 16 anos

Mais informações: 21. 2240-4879