Produtores brasileiros de cinema recebem incentivos do governo italiano

Os festivais de cinema realizados no Rio de Janeiro têm estreitado o intercambio entre os produtores da área e entidades e governos internacionais. As propostas de parceira entre países são implementadas e debatidas nesses encontros. O Riofilme Festival, que foi sediado no Rio durante a semana passada, recebeu os representantes da Associação Nacional da Industria Cinematográfica (Anica), que ofereceu para os profissionais brasileiros vantagens e propostas para desenvolverem os seus trabalhos na Itália.

A Anica é uma entidade voltada para as áreas de Audiovisual e Multimídia e foi criada há 70 anos. A sua comitiva na Riofilmes foi composta pelo administrador conselheiro, Adriano Micheli, o secretário geral, Roberto Stabile, a coordenadora de Crédito Fiscal e Financeiro, Andrea Pietra e pela consultora de Crédito e Benefício Fiscal, Ludovica Baldan. Foram eles que apresentaram os planos e as vantagens para quem optar por filmar em território italiano. 

Segundo Roberto Stabile, as iniciativas do governo italiano tem a intensão de ajudar a industria do cinema criando sistema de facilidades que permitam aos produtores encontrar no mercado os próprios recursos, evitando que os financiamentos estatais se transformem em uma chuva de contribuições que infestam o mercado e não contribuem para que a produção das obras tenha resgate os custos de produção. Stabile comentou no workshop da Riofilmes sobre um projeto que tem como meta oferecer um sistema de ações de suporte e financiamento, além de cuidados fiscais que possam facilitar as produções e mais todos os outros incentivos que já é do conhecimento público que a Itália pode oferecer como, por exemplo, as belezas naturais do país, a comissão de apoio que dá o suporte aos meios estruturais e contribuições econômicas, os vários fundos regionais, incentivos fiscais nacionais como o tax credit que representa um importantíssimo instrumento para a empresa produtora que queira filmar em regime de co-produção ou coo produção estrangeira com apoio italiano.

Roberto Stabite garantiu que a Anica quer atuar como um suporte às empresas italianas que produzem bens de luxo exportados para o mundo todo, tais como moda, jóias, sapatos, decoração, alimentos, para promoção no exterior usando o cinema para isso. A associações vai intermediar e inserir as marcas mais famosas da Itália nos filmes estrangeiros, com vantagens econômicas e de imagem para a produção, oferecendo grande visibilidade para que essas companhias promovam seus produtos.

Em tempos de intenso comércio ilegal de CDs e DVDs que afetaram economicamente as produções cinematográficas em todo o mundo, Stabite disse que na Itália estão acontecendo campanhas de sensibilização da opinião pública, para conscientizar a população sobre a pirataria, "que é um crime grave semelhante ao furto e, juntamente com as companhias telefônicas e provedores de serviço na internet, estamos intensificando o combate. A Anica tem convenio com a FAPAV (Federação Anti-Pirataria Audio Visual)", contou Stabite. Ele destacou que na Itália o mercado de CD e DVD praticamente não existe mais e tudo é descarregado via internet. Uma lei como a que o Brasil adotou, dando isenção fiscal em 100% para a produção de discos musicais que tenha o objetivo de reduzir os custos para seduzir o consumidor à comprar obras originais, seria ineficaz e anacronística na Itália. 

Stabite destacou que entre a Itália e o Brasil existem numerosas afinidades culturais e comerciais. "E nós temos um bom acordo de co-produção cinematográfica. Existe um acordo para o desenvolvimento de roteiros e, apesar de todo esforço, os produtores italianos gravam na Argentina e os brasileiros têm gravado na Turquia. Devemos nos sentar em uma mesa de negociações, discutir os motivos e razões porque não conseguimos produzir juntos", comentou ele. 

As informações sobre a Anica estão no portal da associação (www.anica.it), onde estão os contatos dos representantes da entidade nos principais países interessados em negociar o intercâmbio para as produções na Itália, inclusive para o Brasil.