Jovens de comunidades cariocas fazem capacitação em audiovisual 

Pela primeira vez, o RioMarket, a área de negócios do Festival do Rio, incluiu uma programação para capacitar jovens de comunidades da capital fluminense em diversas atividades do mercado de audiovisual. Eles vão receber informações sobre direção, produção, técnicas de som, figurino, fotografia, roteiro, entre outras funções.

Segundo a coordenadora do RioMarket Jovem, Fernanda Ferrari, os 30 jovens de 15 a 22 anos de idade, que participam do projeto, foram selecionados pelo Museu de Arte do Rio (MAR) depois de projetos desenvolvidos por organizações não governamentais; pela Administração Regional da Zona Portuária, onde fica o Armazém da Utopia, sede do festival; em colégios e no site do RioMarket.

“A nossa intenção é continuar com o projeto durante o ano, com cursos e palestras, e colocar os jovens no mercado audiovisual. Esse projeto está dando partida no festival, começando com o apoio do MAR. E estamos buscando patrocinadores para continuar”, disse à Agência Brasil.

Parte da programação será no MAR, onde os jovens terão workshops. No Armazém da Utopia, eles participarão de seminários, workshops e do Cine Encontro, que são sessões com exibições de filmes da mostra Première Brasilseguidas de debates com a presença de diretores atores e produtores. “Eles vão poder fazer perguntas para esclarecer as dúvidas. É uma parte bem legal do nosso projeto, em que eles podem assistir ao filme e trocar ideias com os diretores”, disse.

David Silva Caripunas, de 21 anos, é um dos jovens que participam do projeto. Ele chegou ao Rio há duas semanas vindo do Maranhão. David disse que a vontade de fazer cinema o motivou a tentar uma inscrição. Enquanto fazia ciências sociais na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) trabalhou como assistente de edição no grupo de um professor.

O maranhense teve dificuldade para se inscrever no projeto. Ele tentou preencher o formulário no site do RioMarket, mas não conseguiu. Então resolveu ir ao Armazém da Utopia, onde encontrou a coordenadora do projeto. “Fui na sede no último dia. Eu disse, tenho que fazer alguma coisa. Dei sorte de encontrar a Fernanda. Ela me disse que se eu tivesse chegado dez minutos depois já teria enviado a lista, e eu só teria outra chance no ano que vem”, declarou à Agência Brasil.

David, que está morando com o pai na comunidade da Vila do João, no Complexo da Maré, zona norte do Rio, pretende fazer curso de cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, região metropolitana do Rio. O jovem está feliz com a participação no projeto. “Estou muito otimista porque é a minha primeira chance, desde que cheguei aqui, de fazer o que me propus no Rio de Janeiro. Estou esperançoso. Sei que é um começo e não vai me garantir nada, mas tenho que começar de alguma forma. E lá é onde vou começar e estreitar a minha relação com o cinema”, disse.

O maranhense acredita que o projeto vai ser importante para o seu futuro profissional. “Tenho esta esperança sim, e foi esta esperança que me moveu até aqui. Espero fazer contato. Sei que não vai ser nada de imediato, mas é o que o Roberto Da Matta [antropólogo] falou uma vez: o Rio de Janeiro é uma província e sendo uma província a gente tem que juntar os contatos. De alguma forma espero conseguir uns contatos certos para me inserir neste mundo”, concluiu.