Com superprodução e clássicos dos anos 80, Maiden encerra Rock in Rio

Provavelmente nenhum nome tenha maior representatividade para encerrar o Rock in Rio do que o Iron Maiden. Além do próprio gigantismo e da aura que a banda adquiriu ao longo dos anos junto ao público brasileiro, o grupo britânico foi uma das atrações da primeira edição do evento, no distante ano de 1985, e, 16 anos depois, quando o festival retornou após uma década de hiato, voltou a seus palcos, desta vez como headliner. E o hoje sexteto, liderado nas apresentações pelo carismático vocalista Bruce Dickinson, fez bom uso da responsabilidade, na madrugada desta segunda-feira (23), em um dos shows de maior destaque do line-up, no encerramento oficial da edição de 2013 do festival.

Trazendo ao Palco Mundo o aclamado show da turnê Maiden England, majoritariamente baseada no vídeo homônimo de 1989 gravado no giro mundial do disco Seventh Son of a Seventh Son, o sexteto fechou o Rock in Rio com aquilo que se espera de um grande show de arena: banda tinindo, repertório caprichado, superprodução de palco, pirotecnia e empolgação geral do público, tão acostumado a ver os britânicos em território brasileiro mas, mesmo assim, incansavelmente lotando turnê após turnê suas apresentações - como ocorreu em São Paulo na semana passada, na Arena Anhembi.

Por ser baseado no giro de um trabalho lançado em 1988, nada poderia esperar o público a não ser uma enxurrada de clássicos dos primeiros anos da banda. E foi isso o que recebeu. The Trooper, The Number of the Beast, Wasted Years, Phantom of the Opera, 2 Minutes to Midnight. Mais recente no repertório só a obrigatória Fear of the Dark, mesmo ela antiga, de 1992, acompanhada em uníssono pelo público presente.

"Tudo bem, Brasil? Obrigado! São essas as três únicas palavras em português que sei, fora cachaça, caipirinha e samba!", brincou Dickinson em sua primeira comunicação direta com os fãs. "Vocês tiveram uma boa semana? Eu gostaria de dizer que o mundo inteiro está assistindo a vocês do Rio de Janeiro nesta noite pela televisão! Então, para eles saberem com quem estamos falamos, grite por mim, Rio de Janeiro!", pediu o vocalista, imediatamente atendido pelas dezenas de milhares na pista.

Incansável, Dickinson foi, como sempre, um dos destaques absolutos do Maiden no palco. Aos 55 anos, o extraordinário cantor segue elétrico, corre de um lado para o outro, salta, brinca e, claro, canta - e como canta! 

Mas ele não é o único. A banda inteira é de uma performance impecável frente a uma multidão de fãs. Perfeitamente entrosados, Steve Harris (baixo), Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers (guitarras) e Nico McBrain (bateria) continuam dando espetáculo, interagindo como sempre, brincando, dando risadas e mostrando por que o Maiden é um dos mais animados e empolgantes grupos em presença de palco do planeta.

Mas ainda tinha esse outro personagem, o palco. E como ele faz a diferença em um show do sexteto. Com pirotecnia constante, como labaredas de fogo, entre outros efeitos, e um cenário impressionante, com troca quase música a música dos panos de fundo do espaço, incluindo a presença de robôs de demônios com grandes olhos vermelhos, o palco ainda contou com a sempre aguardada aparição de Eddie, mascote da banda desde seu primeiro disco, ele próprio mundialmente conhecido, mesmo entre aqueles que sequer conhecem a música do Maiden. 

"Rock in Rio, é a nossa terceira vez aqui! Mas não é a última que viremos ao Rio de Janeiro! Muito menos a última que viremos ao Brasil", prometeu Dickinson antes de deixar o palco - com show encerrado por Aces High, The Evil That Men Do e Running Free. A julgar pela popularidade dos britânicos no País, não há ninguém que duvide disso