Rock in Rio: fãs do Metallica vivem expectativa por setlist histórico

Em 2011, o Metallica foi convidado para fechar a noite de heavy metal do Rock in Rio e os fãs viviam uma expectativa: o que a banda levaria para o palco, uma vez que seu último álbum de estúdio havia sido lançado em 2008, e a presença deles pelo Brasil não era lá mais tão novidade? O resultado foi um setlist recheado de clássicos na melhor apresentação do grupo americano em solo brasileiro.

Dois anos se passaram, e a presença do Metallica para fechar a primeira das duas noites dedicadas ao metal do Rock in Rio traz agora a mesma pergunta: o que a banda levará ao palco depois da performance antológica de 2011, com direito até a instrumental Orion, composta pelo falecido baixista Cliff Burton? "Eu espero um setlist histórico, o melhor de todos os tempos", disse Rodrigo Corrêa, mineiro de Sabará, que chegou na segunda-feira para acompanhar ao vivo o Metallica.

"Montei minha barraca, fui ficando e depois encontrei uns amigos de 2011, é o melhor show hoje", completou o fã, ao lado do amigo Otávio Leite, carioca, que sabe que "todo show deles é um mistério", mas gostaria muito que eles tocassem hoje The Unforgiven 2. "Iria ser perfeito, já que eles já vieram várias vezes, podem inovar".

A canção é uma versão distinta e de sequência do clássico Black Album, e foi lançada junto com ReLoad, em 1998. "Se ele (James Hetfield, vocalista) fizer uma medley das duas então, vai ser ainda mais inesquecível", completou Otávio. Alheio aos palpites, existe a expectativa de que a banda possa tocar, na íntegra, justamente o álbum negro (o nome oficial, é homônimo: Metallica, de 1991) que, até hoje, é referência para os fãs do metal.

Em 2012, a banda americana fez turnê em que tocava o Black Album em sua íntegra, de traz para frente fechando com o clássico Enter Sadman, o que reforça a expectativa entre os fãs de que o grupo possa separar uma parte do show para se dedicar à sequência de sucessos do disco que vende até hoje milhares de cópias pelo mundo.

"Se eles fizeram isso, Deus pode me levar para o céu que minha missão aqui já vai estar cumprida", brincou o fã Augusto Nunes. "Disco na íntegra eu escuto em casa, aqui tem que misturar", criticou Rodrigo Corrêa. Os portões da Cidade do Rock foram abertos pontualmente às 14h e, ao contrário das outras noites, mais dedicadas ao pop, nesta quinta-feira (19) o cenário está tomado por camisas pretas, como era de esperar numa noite dedicada ao heavy metal.

Gastón Coronel e Emilio Raiden são de Buenos Aires, e se uniram a um grupo de argentinos também de Córdoba e Mendoza para irem ao Rio de Janeiro assistir ao Metallica. "É minha quinta vez, sempre que eles descem aqui para a América do Sul, lá estou eu", afirmou Coronel. "É a melhor banda do mundo, a Argentina também é Rock in Rio", brincou ainda Raiden. O grupo trouxe uma bandeira com o escrito: "Argentina For All", em alusão ao consagrado disco…And Justice for All.

Quem também veio de longe foi o pernambucano Luís Humberto Román, que trouxe o filho Arthur, de apenas 10 anos, para o seu primeiro show do Metallica. "Ele já viu o show do Pink Floyd (da turnê The Wall), e agora está no seu primeiro Rock in Rio. Tem que acostumar o garoto com coisa boa, né", riu Román, que voou de Recife para o Rio de Janeiro para a apresentação do Metallica.

Ambulantes de preto

Ao contrário das faixas, e camisetas coloridas para o público das primeiras noites do Rock in Rio, nesta quinta-feira os vendedores ambulantes na porta da Cidade do Rock estão devidamente equipados com camisetas, e bandeiras do Metallica, Alice in Chains e Sepultura - todas atrações desta noite no palco Mundo.

"Camiseta do Metallica vende que nem água aqui", disse um dos vendedores, que negocia as peças do grupo americano por R$ 35. Uma bandeira sai por R$ 25, enquanto que cuecas, isso mesmo, cuecas da banda metaleira saem por R$ 20.

"Fez tanto sucesso que eu já vendi tudo, não tenho nenhuma aqui para te mostrar", afirmou ainda um outro ambulante. Com o risco de chuva, as capas de plástico também são oferecidas do lado de fora da Cidade do Rock e custam R$ 10. "Mas se chover, vai na hora para R$ 20", avisou um dos vendedores consultados pela reportagem.