Ciclo de literatura internacional debate diferentes culturas no CCJF

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), na Avenida Rio Branco, 241, Cinelândia, vai tornar sua sala multimídia o portão de embarque para a literatura internacional. É o projeto InterTranças , da Plumagenz Criação Cultural & Desgin, que promete levar a plateia à Alemanha, Brasil, Estados Unidos, Cuba, Angola, Austrália, Índia e Japão, por meio da leitura de trechos de obras literárias desses países. Os encontros, quinzenais, serão realizados de 8 de agosto a 21 de novembro, sempre às quintas-feiras, às 19 horas, ao preço de R$20 (inteira) e R$10 (meia).

A estreia fica por conta da literatura da Alemanha, com trechos de obras de Bernhard Schlink, A menina com a lagartixa (Record); Ingo Schulze, Adam e Evelyn (CosacNaify) e Daniel Kehlmann, Fama: um romance em nove histórias (Companhia das Letras). Interpretados pela atriz Maria Clara Hertz, que se revezará com a atriz Beta Perez, ao longo do projeto, os textos serão debatidos por Juliana Lugão e Kristina Michahelles, com mediação de Natalie Araújo Lima. O InterTranças tem curadoria de Vivian Wyler.

"Após a leitura, especialistas na literatura do país contemplado, professores ou protagonistas do meio editorial, conversam com os espectadores sobre a abrangência dos textos, levando a plateia a uma vivência cultural rica e profunda", explica a diretora da Plumagenz, a jornalista e mestra em Bens Culturais e Projetos Sociais, Maria Alice Paes Barretto.

Na visão da curadora, mestra em Comunicação Social, com experiência de 26 anos como editora, a sessão de estreia foca no desafio da Alemanha em recuperar-se das cicatrizes de suas guerras e transformar-se numa potência arrojada e contemporânea. Analisar a realidade alemã, tal como surge na ficção, pode ajudar-nos a entender, não só a profundidade de sua cultura, mas o que há de partido e dividido em nossa própria realidade.

Mais do que trabalhar com questões literárias, o InterTranças é assim: busca despertar no leitor a vontade de conhecer novos cenários, realidades e histórias, e utilizar esse conhecimento como forma de reflexão não apenas sobre seu meio, como  em relação a outras culturas,  derrubando mitos e preconceitos.

Serviço

Centro Cultural Justiça Federal, sala Multimídia,

Av. Rio Branco, 241, Cinelândia,

Às 19h,

Tel. (21) 3261-2550.

às quintas-feiras,

quinzenal.

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

35 lugares

Classificação Livre

Agenda:

22/8 -Brasil - Rejeitando o rótulo de regional e apostando na universalidade de uma voz urbana, plural, que espelha as inquietações de se viver num país em que a modernidade convive com o ocaso de formas arcaicas, a literatura brasileira enfocada, aqui, é aquela onde irrompe,no país da juventude, a velhice com seu cortejo de horrores. Obras: Barba ensopada de sangue, Daniel Galera (Companhia das Letras), Mar azul, Paloma Vidal ( Rocco) e Escrevendo no escuro, Patricia Melo (Rocco). Debatedoras: Luciana Hidalgo e Cleusa Maria, mediação de Marianna Teixeira Soares. Atriz: Beta Perez.

5/09 - Cuba - Que país é esse, ensolarado e soturno, libertário e enclausurado, e como se constrói a identidade do cubano de hoje, enredado, ainda, num passado que se recusa a abrir espaço para o novo? Narrativas sociais, as obras escolhidas mostram o individual que insiste em rasgar, com força, o que deveria ser um tecido coletivo. Obras: Trilogia suja de Havana, Pedro Juan Gutierrez ( Alfaguara), Nunca fui primeira dama, Wendy Guerra (Benvirá) e O nada cotidiano, Zoe Valdès ( Record). Debatedores: Guiomar de Grammont e Pedro Vasquez, mediação de Natalie Araújo Lima. Atriz: Maria Clara Hertz.

19/09 - EUA - Um país que se olha e não se reconhece na imagem forjada por seus antepassados. Onde a história pessoal ainda adquire status de mito e as engrenagens do capital, do consumo e da mídia pontuam, com imagens feéricas,  o cotidiano domesticado dos subúrbios e as ameaças inexplicáveis do que não é nacional. Obras: Extremamente alto & incrivelmente perto, Jonathan Safran Foer (Rocco), Minha irmã, meu amor, Joyce Carol Oates (Alfaguara) e É claro que você sabe do que eu estou falando, Miranda July (Ediouro). Debatedoras: Liana Pérola Schipper e Denise Schittine, mediação Vivian Wyler. Atriz: Maria Clara Hertz.

10/10 - Angola - Uma colônia portuguesa, ainda no século XX, um país definitivamente africano, que aprendeu a escolher seus heróis, Angola sempre conviveu com a tensão entre dois mundos, e uma estrutura de repressão embutida na própria língua instrumental de sua literatura: a língua do dominador. Obras: As mulheres do meu pai, José Eduardo Agualusa ( Lingua Geral),Os da minha rua, Ondjaki (Lingua Geral) e A geração da utopia, Pepetela (Leya). Debatedores: Carlos Eduardo Leal e Bruno Garcia, mediação Natalie Araújo Lima. Atriz: Beta Perez.

24/10 - Australia - a Oceania talvez seja hoje uma das grandes fontes de renovação da literatura de língua inglesa. Esta dinâmica pode ser percebida tanto em autores premiados por sua veia original quanto em autores best-sellers. A visão ao mesmo tempo descentrada da matriz, mas permeada pela cultura-mãe, e por uma natureza poderosa, faz com que as narrativas obtenham perfeita comunicação com habitantes de culturas igualmente originais e descentradas, como a nossa. Obras: As páginas, Murray Bail (Rocco), Roubo: uma história de amor, Peter Carey (Record) e Um quarto para ela, Helen Garner (Alfaguara). Debatedores: Monica Maia e Lucas Telles, mediação Vivian Wyler. Atriz: Beta Perez.

7/11 - Japão - País de contrastes profundos, o Japão é definido no imaginário ocidental por elementos como a cultura de gueixas e samurais, as guerras e as conquistas tecnológicas. A densidade da literatura que o país oferece é hoje bem expressa pelos autores escolhidos. Obras: Após o anoitecer, Haruki Murakami (Alfaguara), A vida secreta do senhor de Musashi/Kuzu, Jun?ichiro Tanizaki (Companhia das Letras) e Do outro lado, Natsuo Kirino (Rocco). Debatedoras: Joelle Rouchou e Claudia Mattos, mediação Natalie Araújo Lima. Atriz: Maria Clara Hertz.

21/11 - Índia - Milenar, imperial, colonizada, cibernética, ao mesmo tempo, a Índia não cessa de fascinar quem entra em contato com sua cultura múltipla e rica. É um país, a um tempo repositório de uma tradição original e regional, e dono de um apetite voraz globalizador, um país insurgente e plácido, em igual medida. Obras: O deus das pequenas coisas, Arundhati  Roy (Companhia das Letras), Os filhos da meia noite, Salman Rushdie ( Companhia das Letras) e O tigre branco, Aravind Adiga ( Nova Fronteira). Debatedoras: Shirley Carreira e Izabel Aleixo, mediação Vivian Wyler. Atriz: Beta Perez.