Cartunista Laerte diz ter vontade de implantar silicone: "é atrativo"

Antes de participar do Tas ao Vivo, na tarde da última quarta-feira (26), o cartunista Laerte conversou com o Terra e contou que tem vontade de implantar silicone. "Tenho vontade. Dentro de todo peso simbólico que isso representa, dos padrões de sexualidade da sociedade atual, tenho cortejado essa hipótese. É atrativo. É o símbolo mais evidente da feminilidade e é como o primeiro passo fora da masculinidade", disse, antes de explicar o seu receio: "mas aí entra diversos outros fatores, como todo o processo cirúrgico, o receio, a recuperação. Quem vai cuidar dos meus gatos? Tenho uma gata paraplégica que pesa cinco quilos e precisa ser alimentada. Tem todas essas questões até meio prosaicas, mas que tenho levantado". Durante o papo com Marcelo Tas, Laerte disse que sua história frequenta os dois sexos: "eu sou teoricamente bissexual".

Sobre as atuais manifestações que ocorrem pelo Brasil, ele deu sua opinião: "jogaram uma luz sobre diversas questões que estavam aí há muito tempo. As reações da Dilma e do Congresso já eram esperadas porque essas mudanças já eram propostas mesmo que em banho maria. Como elas vão progredir, é difícil saber. O modo como a imprensa lida com isso mudou também".

Questionado, o cartunista comentou o assalto à sua casa, na zona oeste de São Paulo, em maio deste ano, no qual os ladrões teriam levado parte de seu acervo de trabalho dos últimos 12 anos enquanto ele viajava. "Foram achados os HD's violados depois, com nada meu dentro, só uns funks lá. Eram coisas que foram publicadas nos últimos 12 anos. No limite, eu tenho como recuperar com as pessoas que publiquei isso, mas nem eu sei muito o que tem".

Laerte, que também já escreveu scripts para a TV Pirata (1988-1992) e Sai de Baixo (1996-2002), tentou traçar uma comparação do humor anos atrás para o de hoje. "Tem aquela diferença entre a comicidade e a busca do riso. Tenho questionado ultimamente o que é humor e o que é cômico, que causa risada. No Sai de Baixo tinha uma regra que depois de cinco linhas, tinha uma piada no roteiro, que era o que chamávamos de "baixar o bloco". Custei a aprender, mas aprendi e foi útil. Mas hoje, para mim, já não é prático. Não quero mais fazer piadas, isso não me atrai mais. Acho tudo isso digno, não tô renegando o que fiz, mas tenho me sentido atraído por outras formas de humor. Humor é quase um estilo literário".

Perguntado se às vezes se choca com o humor, ele respondeu: "sim, me choco com o que se tem feito com o humor, como o stand up. E aí entra muito a discussão de liberdade de expressão. Será que se resolve isso com questões judiciais ou na linguagem da coisa?  O que me chocou outro dia foi um episódio do Family Guy que mostra a Britney Spears como uma mãe ruim e ela aparece afundando a moleira da cabeça do seu bebê para usar com cinzeiro". 

Por fim, ele falou de Vizinhos, seu novo HQ após três anos. "A cor vermelha que ilustra todo o material foi ideia do meu filho, Rafael Coutinho, que é a ideia da Coleção Mil, do selo Cachalote. Os quadrinhos dessa coleção se apoiam em certos dogmas, como não ter diálogo, de serem quadrinhos mudos, ter ou 16 ou 24 páginas de formato padrão e ser em papel colorido". O enredo do quadrinho aborda a vida de um morador de condomínio e a de um flanelinha da rua. "Pensei em uma luta de território ao criá-lo, o que significa a pessoa achar que é dona de um bem, de um espaço e o outro lado é uma questão de meio de vida. Me interesso por essa dinâmica urbana, de viver com gente. A nossa sociedade não é uma irmandade, está cheia de conflitos, brigas e disputas".