Crítica: "Hitchcock"

Tido como um dos maiores injustiçados da história do Oscar, não detendo nenhuma estatueta, apesar de cinco indicações na categoria “Melhor diretor” e de seu filme Rebeca (1940) ter sido nomeado o melhor do ano, na premiação, o cineasta inglês Alfred Hitchcock é referência incontestável da cinematografia mundial, e, finalmente, tem (pelo menos parte de) sua biografia retratada num longa metragem.

O britânico Sacha Gervasi tomou para si a responsabilidade de levar para cena, no longa Hitchcock, o processo de produção, criação e execução do, talvez, mais importante filme do “senhor do suspense”: Psicose (1960). O filme é baseado no livro Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho, de Stephen Rabello, e revela como, mesmo no auge de sua carreira, Hitchcock não conseguiu apoio para a realização da obra, porque os estúdios não queriam investir em um pequeno filme de terror. O resultado foi uma produção independente, de baixo orçamento, que encontrou grandes dificuldades para enfrentar a censura. Além disso, diversos obstáculos surgiram durante as filmagens, como as constantes brigas entre Mr. Alfred e sua esposa, Alma.

Hitchcock ressurge, na tela, através da sensível interpretação de Anthony Hopkins numa performance, de fato, arrebatadora, como anuncia o cartaz. A recriação da antológica figura do diretor é recheada de pequenos detalhes que elevam o trabalho do ator depositando-o no lugar da comoção. As qualidades da interpretação de Hopkins são muitas, mas, certamente, seu trabalho se potencializa enormemente quando se depara, em cena, com uma parceira como Helen Mirren que dá vida à esposa do cineasta. As cenas protagonizadas pelo casal são tangidas por uma esfera de intimidade e de uma maturidade que advém do próprio exercício atoral, mas, que resvala na construção da intimidade do casal Alma-Hitchcock.

Sem grandes voos criativos, a direção dá conta do bem adaptado roteiro com uma belíssima direção de arte, bonita fotografia, cortes exatos, trilha singela e assertiva. A grande aposta do filme é, mesmo, o elenco que ainda conta com nomes como Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel e James Gacia.

É difícil supor que Hitchcock seja um sucesso tão retumbante quando Psicose, contudo, é um filme que merece ser visto; não só pela justa homenagem ao diretor de meia centena de longas, mas, também, para apreciar as belíssimas composições executadas por Hopkins e Helen Mirren.

Cotação: ** (Bom)