'Baile do Bené' resgata black music no Rio

Festa, que faz sucesso entre os cariocas, comemora um ano neste sábado (8) 

Uma festa que recriasse o clima dos bailes de black music dos anos 70 e 80, mas tendo o funk carioca antigo como ponto chave, além da paz e união. Nasce o Movimento Benedito para resgatar tudo isto. E assim surgiu a festa Baile do Bené: um tributo aos bailes cariocas de outrora, que tem feito sucesso na noite carioca, atraindo um público cada vez maior. A festa comemora um ano de existência neste sábado (8), em um baile de gala, na quadra da São Clemente, Centro do Rio.

A ideia veio dos amigos Marcus Vinicius Gomes, professor de Geografia de 27 anos, e Leandro de Paula, de 28 anos, geógrafo e produtor. Eles se basearam nos favela movies, que trazem diversos personagens da vida cotidiana e retratavam os bailes antigos. E para gerar um entrosamento com os frequentadores, nasceu um personagem para um perfil do Facebook, de nome Bené (Benedito), com linguajar descolado, ginga de funkeiro e descontração. 

“A coisa de personificar a festa foi uma estratégia que surgiu do nada. Postávamos no perfil as músicas sempre com um comentário na primeira pessoa, dando a impressão que existia de fato um anfitrião carismático fazendo a festa. E isso deu certo! Aproximou o público, que logo criou uma empatia por ele”, conta Leandro.

A rapidez da informação na Internet ajudou Bené e seu baile a se tornarem conhecidos. Um canal no Youtube traz vídeos de divulgação da festa, que já chegaram a quase 1 milhão de visualizações. Personagens virtuais famosos como o humorista Gil Brother, o Away, e Erick Gustavo e seu fantoche “Marcelinho lendo contos eróticos”, protagonizaram esquetes de humor que funcionam para chamar o público. 

História, músicas, ideologias e um convite de Bené 

Leandro e alguns DJs (D'Paula, Dom Coimbra e Pajé) foram montando a lista de músicas e logo surgiu o local da primeira edição: a antiga sede do Cordão Bola Preta, na Lapa. O público foi de mil pessoas. Já na terceira edição, o lugar ficou pequeno e eles se transferiram para a quadra da escola de samba São Clemente. A fama da festa foi se espalhando e, na última edição, três mil pessoas lotaram o local. A edição de um ano é a sexta do baile.

Black, soul, hip hop, old school, charme, rap, miami bass, funky internacional e carioca (aqueles antigos, com poesia). Músicas dos anos 70 aos 90, diversas vertentes da black music. Estes são os sons que o público procura no Baile do Bené. Há uma preocupação por parte da produção em manter o preço das bebidas e ingressos distante dos pagos em outros locais, como parte da proposta inicial da festa. 

 “O que queremos mesmo é todo mundo curtindo o Baile do Bené lá na pista, sem distinção de cor, renda ou sexo, só com uma coisa em comum: o sorriso da galera”, diz Marcelo.

E para comemorar um ano desta história de resgate cultural, Bené manda um recado: “Vamos juntar o mulão e botar o pé no baile, Dj!”. Os festejos de aniversário serão na Avenida Presidente Vargas, 3102, no Centro. O som começa às 23h, com ingressos a R$ 30. 

*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil