Teatro Municipal precisa de novos concursos 

Equipe pede preenchimento de vagas ociosas no Rio 

Já abalado pela suspensão de suas atividades de janeiro a maio deste ano, causada pelo desabamento de três prédios em seus arredores, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro passa por mais uma turbulência. Funcionários dos três corpos artísticos da casa – balé, coro e orquestra sinfônica – alertam para a necessidade emergencial da realização de um concurso que preencha as muitas vagas ociosas nas equipes.

Atualmente, a orquestra conta com aproximadamente 96 músicos, dos quais 60 são servidores públicos, 16, contratados emergenciais e 20 funcionários sem qualquer contrato, que trabalham sob demanda e recebem cachê de acordo com o serviço executado. Deveria haver, em um corpo completo, aproximadamente 123 profissionais. O coro e o balé sofrem com o mesmo problema. O primeiro, que precisa de 120 cantores para ter um quadro completo, tem 80 servidores e 20 contratados emergenciais; o balé, cujo número ideal seria 107 bailarinos, dispõe de 100 em atividade, incluindo 20 contratados.

Os contratos emergenciais completam cinco anos de vigência em março de 2013, quando os artistas não poderão mais ser recontratados pelo teatro, já que o prazo de prorrogação máxima do vínculo é de cinco anos, de acordo com a Lei Estadual nº 4599/05. Segundo os presidentes das associações dos corpos artísticos, essa diminuição brusca no número de funcionários atrapalhará a realização da programação de 2013.

“Precisamos que esse concurso aconteça o mais rápido possível, para o bem de todos e para dar continuidade ao trabalho. O último foi em 2002, faz tempo. Não se trata de um jogo de poder com a direção do teatro ou algo parecido”, afirma Pedro Olivero, presidente da associação do coro. Sua colega Jesuína Passaroto, presidente da associação da orquestra, reforça o pedido: “O concurso é vital, já que, a partir de 2013, estaremos sem boa parte do nosso atual quadro. Além disso, por sermos um teatro de repertório, essa alta rotatividade de artistas contratados também atrapalha bastante".

O maestro Silvio Viegas, diretor artístico e maestro titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, também comentou a situação delicada. “Não temos nada contra o concurso. Abri o projeto em junho deste ano, os detalhes foram analisados pelo departamento jurídico da casa e o encaminhamos para a Secretaria Estadual de Cultura, que está viabilizando o concurso”, declarou. “O nosso desejo é que isso aconteça rapidamente. Estamos ao lado dos corpos artísticos nessa luta”, concluiu Viegas.

Falta interesse da direção

Em conversa com o Jornal do Brasil, uma fonte que faz parte do Corpo de Ballet do Teatro Municipal expôs mais insatisfações em relação às diretrizes da cúpula da casa, da qual a atriz e diretora Carla Camurati é presidente desde 2007: “Da parte da direção, parece não haver nenhum empenho para que esse concurso seja realizado. Também estamos chateados porque eles não investem em novas produções. Neste ano, vamos dançar O quebra nozes novamente, por exemplo”. Até o fechamento desta edição, Carla Camurati não retornou às solicitações enviadas pelo JB.

De acordo com as assessorias de imprensa da Secretaria de Estado de Cultura e do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, não há previsão de quando será realizado o concurso para o preenchimento das vagas ociosas e daquelas que têm sido ocupadas por contratados emergenciais.