Circo Voador comemora seus 30 anos com exposição

68 fotos contam a história do 'ponto de efervescência' carioca

Um local que se mistura com a história do Rio de Janeiro. Já esteve no Arpoador e hoje está na Lapa. Um espaço que abrigou importantes fatos de toda uma geração e reúne memórias, shows, projetos sociais e uma luta pela liberdade cultural. Este é o Circo Voador, que comemora três décadas de existência em 2012 e celebra a data com a exposição Circo Voador 30 anos, que terá sua abertura nesta quinta (27) e segue até 27 de novembro.

O lançamento da mostra será restrito a convidados. O sorteio dos ingressos aconteceu em ações promocionais no site e em redes sociais. Quem comanda a festa é o grupo Bondesom, que comemora 10 anos de carreira em outubro e participou da ocupação cultural dos canteiros de obras do Circo Voador, em 2002. Às 23h, o cantor Pedro Luis se apresenta.

Os curadores da exposição, Felipe Varanda e Lena Amorim, escolheram 68 fotos entre milhares pesquisadas em jornais, no acervo do Circo e com fotógrafos. Algumas das imagens da mostra são do arquivo do Jornal do Brasil. Segundo Felipe, 37 anos, que também é fotógrafo e trabalhou no JB de 1999 a 2001, a ideia do projeto partiu da vontade de contar a história do espaço e comemorar a célebre data. “O Circo sempre gerou muito conteúdo, como fotos e vídeos. Sabíamos que havia muito material para ser mostrado”, ele explica.

“Os cantores mais frequentes, mais relevantes no cenário nacional, momentos históricos e fotos que registrassem calor humano e proximidade com o público estão entre as peculiaridades atribuídas pelos artistas à casa”, descreve o curador sobre a seleção das fotos e autor de algumas delas.

As fotos ficarão expostas em andaimes, remetendo à antiga estrutura da casa. Três telões vão exibir entrevistas com Arnaldo Antunes, Lobão, Celso Blues Boy, entre outros, e shows históricos, que o público poderá acompanhar também com fones de ouvido. O tempo em que o espaço ficou fechado, de 1996 até 2004, após uma determinação do ex-prefeito César Maia, também será lembrado.

Gaby Morenah, de 28 anos, coordenadora de projetos especiais e idealizadora da mostra, queria remontar as três décadas de história e, segundo ela, a exposição seria a melhor opção. “Pensamos em achar artistas plásticos para fazer releituras, mas não dava, pois a história do Circo já é uma obra de arte”, lembra.

A exposição Linha do Tempo já ilustra os muros externos do Circo desde junho. Fotos de artistas e datas de 30 anos de shows que aconteceram na casa ajudam a resgatar a história do espaço. O projeto Base de Dados, criado pela equipe do acervo do Circo, também será lançado nesta quinta-feira (27). Durante todo o ano, arquivos de fotos, shows, vídeos estarão acessíveis para pesquisa.

A importância do Circo Voador para o Rio

Gaby conta que o local é um espaço que abriga novos artistas e está sempre preocupado em renovar a cena cultural da cidade e do país. “O Circo participou do processo de revitalização da Lapa em 2004. Eu acho que foi ele quem deu a partida a essa etapa”, especula.

“O período de fechamento foi um dos momentos mais tristes da história do espaço e o mais importante foi sua reabertura", acredita ela. A história de Gaby também se mistura com a do Circo. Sua mãe, a produtora Maria Juçá, uma das administradoras do local, saiu do palco da lona direto para a maternidade. “Eu nasci aqui, onde vivi todos esses 30 anos”, revela.

Para Felipe, um dos marcos da existência do Circo foi a passagem da geração do rock brasileiro dos anos 80. Ele acredita que o palco impulsionou o lançamento de grandes artistas. “Assim como são lançadas na lona novas bandas, foram lançados aqui grupos como a Blitz, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho e se apresentaram a Legião Urbana e Ultraje a Rigor. Foi um ponto de efervescência desta geração. Todo mundo tem uma história para contar do Circo Voador”, avalia o curador.