Multiplicidade de atrações e confusões marcam 8ª Virada Cultural

A oitava edição da Virada Cultural terminou neste domingo (6) marcada por um conjunto sem precedentes de atrações em São Paulo, muitas confusões e uma morte. Iniciado às 18h de sábado (5), o evento foi realizado ao longo de 24h na cidade, com encerramento de Gilberto Gil, na Praça Júlio Prestes.

Além dos shows das mais variadas vertentes musicais, a Virada contou na edição de 2012 com apresentações de stand-up comedy, de mágicos e com um enfoque até então nunca antes dado à área gastronômica, com barraquinhas de pastéis, yakissoba, cachorro-quente e doces espalhadas por toda a área por onde o público circulava. No entanto, devido à grande quantidade de pessoas, vindas de todas as partes da capital paulista e do País, até neste último quesito houve alguns problemas.

Considerado o quarto chef de maior prestígio no planeta, Alex Atala promoveu uma galinhada que seria distribuída gratuitamente para as 500 primeiras pessoas que chegassem à sua barraquinha, na noite de sábado, no Minhocão. Como já se podia imaginar, o número de porções não foi suficiente para a enorme demanda e o resultado foi tumulto e empurra-empurra, que causaram a queda da barreira que mantinha separados cozinheiros e público, além de atraso na distribuição da iguaria.

O próprio Atala, cuja presença era dada como certa no local, acabou não aparecendo, já que o tumulto o impediu de chegar a seu destino. As barraquinhas de comerciantes comuns também enfrentaram contratempos, pois, no segundo dia de evento, muitas delas já não possuíam mais ingredientes para servir o público.

Festa paulistana

Se problemas como os ocorridos são comuns em qualquer evento que reúna grande número de pessoas no mesmo espaço, o número e a variedade de atrações da oitava edição da Virada Cultural são únicos no Brasil. Com destaque natural para os espetáculos da região central da cidade, o evento trouxe diversidade de atrações por toda a São Paulo, como exibição de filmes para os cinéfilos, exposições e peças de teatro dança para os amantes das artes e da cultura e bailes para os fãs de festa. A programação extra, por assim dizer, se deu principalmente nas unidades paulistanas dos Sescs, em museus e nos CEUs espalhados pela capital. No total, foram mais de 900 atrações espalhadas por mais de 110 localidades e eram esperadas mais de quatro milhões de pessoas.

Quase metade dos locais que receberam o evento, cerca de 50, estavam em pontos da região central da capital paulista. O Theatro Municipal, um dos pontos mais nobres da Virada, cuja entrada era limitada ao número de assentos disponíveis no espaço, emocionou o público com atrações como Arnaldo Baptista, tocando sozinho ao piano, frente a um cenário colorido e psicodélio; Cauby Peixoto e Ângela Maria, interpretando sucessos da música brasileira e internacional, com direito a homenagem póstuma de Elis Regina à cantora; e Zezé Motta, cantando canções de suas quase quatro décadas de carreira.

O Palco São João, por sua vez, foi o centro dos roqueiros na capital. Diversas atrações internacionais ocuparam o espaço, atraindo jovens de roupas pretas e cabelos longos para conferir os norte-americanos do Suicidal Tendencies, White Denim, Black Oak Arkansas, Tito y Tarantula e até a lendária Iron Butterfly. Os mais ovacionados, no entanto, foram os brasileiros - mais ainda, paulistanos - dos Titãs, interpretando na íntegra o clássico disco Cabeça Dinossauro.

O Palco São João, por sua vez, foi o centro dos roqueiros na capital. Diversas atrações internacionais ocuparam o espaço, atraindo jovens de roupas pretas e cabelos longos para conferir os norte-americanos do Suicidal Tendencies, White Denim, Black Oak Arkansas, Tito y Tarantula e até a lendária Iron Butterfly.

Atrações musicais de destaque também passaram pelos Palcos Júlio Prestes, dedicado à world music, com músicos de países como Nigéria, Jamaica, Gana e Nova Zelândia; República, com grandes nomes do jazz mundial, como Lou Donaldson, Roy Ayers, Charles Bradley e Larry Graham; Anhangabaú, com orquestras eruditas, como a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a holandesa The Piano Quartet; e o Boulevard São João, com 24h de homenagens a Elis Regina, encerradas por Jair Rodrigues.

Ainda houve espaço para o humor - no Sé Stand-up 24 horas, com famosos comediantes nacionais, como Tom Cavalcante, Danilo Gentili, Marcelo Mansfield e Oscar Filho - e para o teatro, no Pátio do Colégio, com nomes como Denise Fraga e Antonio Abujamra.

Contratempos

Problemas também ocorreram no Suicidal Tendencies, banda norte-americana de hard core que se apresentou no ingrato horário das 9h30 deste domingo, no Palco São João. Tão logo o show foi iniciado, a grade de proteção responsável por separar músicos do público foi ao chão devido ao empurra-empurra. Felizmente, a confusão não gerou feridos.

Os casos mais graves ocorreram durante a madrugada de sábado, na Avenida Prestes Maia. Embriagado, um agente federal baleou um adolescente nas nádegas e atirou em um táxi antes de iniciar um tiroteio com a polícia. Baleado, mas sem gravidade, ele foi levado à Santa Casa de Misericórdia, no bairro da Santa Cecília. Houve também uma morte, de uma jovem de 17 anos, que teria sofrido uma overdose. Encaminhada ao hospital, caso de outras 67 pessoas - todas por uso excessivo de álcool -, ela não resistiu e foi a óbito.