Para diretor, premissa de romance é trunfo de 'Um Homem de Sorte'

Dono de longos cabelos grisalhos, Scott Hicks não cumprimenta a reportagem do Terra, mas não por antipatia. Divulgando seu novo filme, Um Homem de Sorte, o cineasta passou recentemente por uma cirurgia no ombro e evita esforço com o braço, mas não economiza energia na hora falar sobre a produção, que conta com Zac Efron como protagonista e estreia no Brasil nesta sexta-feira (4). "O que realmente me prendeu foi a premissa da história. Você tem um soldado no meio do Iraque em ação que acha a foto dessa jovem mulher", começou. "Ele acha que foi ela quem salvou sua vida e, quando vai para casa, ele a procura para tentar agradece-la por isso. Achei que esse era um começo incrível para qualquer história, para um romance."

Praticamente um especialista em histórias de amor no cinema, Hicks ficou conhecido por trabalhos como Shine - Brilhante (1996) e Sem Reservas (2007). Na nova empreitada, ele lidou com um roteiro de amor em que elementos como guerra, sorte e destino se entrelaçam.

Para o cineasta, a química entre o elenco é primordial no quesito romance. "Mas um dos principais elementos de quando você vai fazer um filme romântico como Um Homem de Sorte é se perguntar como você escolherá o elenco. Que pessoas vai colocar?", afirmou. "Zac Efron foi maravilhoso. Ele trabalhou muito como ator para se transformar no papel. Mas procurar alguém para ser seu oposto foi um desafio. Quando coloquei Taylor Schilling junto com Zac vi que havia um ótimo relacionamento, uma grande química. Você precisa ter isto numa história de amor, senão está perdido."

Hicks ainda explicou que a química imediata do casal protagonista pode ser um "problema" no início das filmagens. "No caso de Um Homem de Sorte, o romance entre Logan e Beth demora a decolar, por isso existe a necessidade do distanciamento neste primeiro momento. A parte interessante é que quando você encontra esses atores, você precisa "regredir" um pouco no começo, afinal eles não começam muito bem. Ela o rejeita, ele não sabe o porquê. É um mistério. Você gradualmente juntar isso pelo processo do filme", explicou. "Você precisa pensar o tempo todo onde cada coisa entra na história, como chegamos ao ponto em que finalmente eles se tornam amantes."

Enquanto a sorte e o destino do soldado Logan carregam sua história, o diretor explicou que tais questionamentos devem ser levados para uma reflexão pessoal. "Isso me lembrou que todos temos experiências em nossas vidas, nas quais caminhos ou escolhas diferentes nos levam a mundos diferentes, de uma certa forma. Se olharmos para trás, podemos ver esses momentos no nosso passado, onde tomamos um certo caminho e onde estamos agora", concluiu.