Crítica: 'A toda prova'

O diretor Steve Soderbergh atingiu um nível de proficiência  cinematográfica que mesmo quando passa a mão num roteiro relativamente banal e estiliza um gênero gasto, acaba apontando um caminho seguro para futuros thrillers do subgênero "exército de um homem só". Cabe lembrar que Phillip Noyce havia feito algo semelhante em Salt (2009), em performance impecável de Angelina Jolie, injetando adrenalina na fábula do agente duplo arrependido.

A Toda Prova, escrito por Lemm Dobbs, circula pelo mundo (Barcelona, Dublin, San Diego), seguindo em flashback Mallory Kane, "profissional de segurança" (Gina Carano) traída (profissionalmente) pelo ex-marido/chefe, que sai em busca de vingança. A trama envolve os interesses do governo americano e de uma empresa de segurança particular, sugerindo uma grande conspiração internacional. Mas apenas sugere. Na maior parte do tempo acompanhamos Mallory fazendo duas coisas: fugindo e surrando quem fica no caminho.

O que torna A Toda Prova, talvez, especial, é a distorção das convenções do gênero ação. Soderbergh dirige, fotografa e edita (usando pseudônimos). Tal controle não é facilmente dado a um diretor. O resultado é sóbrio, silencioso, consistente. Laivos cinematográficos de Alan Pakula ('Klute'), Peter Yates ('The Friends of Eddie Coyle'), Melville ('O Samurai'). E pouco importa se Gina Carano sabe atuar (e sabe) menos do que sabe lutar (e sabe também). Há segurança suficiente nas presenças e performances de Antonio Banderas, Michael Douglas, Ewan McGregor e Michael Fassbender para sequer darmos conta disso. 

Cotação: *** ( Ótimo )