Crítica: 'Cairo 678'

Coincidindo com os protestos que tomaram conta do Egito, em 2010, Mohamed Diab, até então conhecido por seu trabalho como roteirista, deu início a sua carreira de diretor com o longa-metragem Cairo 678

No filme, drama, cultura e denúncia unem as vidas de três mulheres de classes sociais diferentes que resolvem se rebelar contra o assédio sexual, tabu na sociedade egípcia.

As personagens centrais – Fayza (Bushra), da classe trabalhadora; Seba (Nelly Karim) da classe alta; e a aspirante a comediante Nelly (Nahed El Sebai), da classe média – foram todas violentadas: Fayza, constantemente assediada nos ônibus lotados; Nelly, atacada na rua, e Seba, estuprada por uma gangue no passado.

Enquanto Seba passa a ensinar defesa pessoal para mulheres, encorajando-as a transformar vergonha em denúncia, suas alunas, Nelly e Fayza, reagem a seu próprio modo.

O resultado é um filme forte com ótimas atuações, que expõe de forma clara a complexidade de seu país, onde a cultura, por vezes, atua como uma barreira intransponível. Um golpe na barreira e um sopro de esperança.

Cotação: ** (Bom)