Uma noite carioca na Casa Brasil

O retorno do Jornal do Brasil à Casa Brasil – magnífico palacete do século 18, construído a partir do mais puro estilo colonial brasileiro - recolocou na agenda do Rio de Janeiro este novo espaço cultural.

A artista plástica Christina Oiticica inaugurou a exposição Mãe Terra, com a curadoria do Rodrigo Accioly, que consistiu na apresentação a um público de mais de 250 pessoas de 64 quadros originais seus, pintados e elaborados ao longo dos últimos 10 anos. A exposição fica aberta até o próximo dia 16 (Av. Paulo de Frontin, 568, Rio Comprido).

O seu estilo de pintura é único: Christina enterra os quadros nos mais diversos “chãos” – Amazônia, Chile, Japão, Índia, Angra dos Reis, além de ter percorrido o Caminho de Santiago e Kumano Kodo, no Japão – e deixa que a terra finalize o trabalho com o seu “pincel” biológico: a umidade, o húmus do subsolo, as matérias orgânicas e inorgânicas e os quase 10 milhões de anos de experiência completam a textura das telas.

O resultado são quadros com relevo, geografia, ranhuras, marcas e cicatrizes, como num poema da Cecília Meireles (“em que espelho eu perdi a minha face”). O presidente da Funarte, Antonio Grassi, observa e admira um verdadeiro “mapa”. 

Christina Oiticica explica a sua técnica

A seguir, procedeu-se à entrega dos troféus Jornal do Brasil de Cultura, criados este ano. Foram agraciados o professor Ivo Pitanguy, o acadêmico Arnaldo Niskier, o intelectual Antonio Grassi (representando a Ministra Ana de Holanda), o produtor cultural Antonio Campos, a Sra. Paloma Amado que o recebeu em nome do pai, o escritor Jorge Amado cujo centenário de nascimento se comemora este ano e a artista Christina Oiticica, na categoria destaque nas Artes. 

Finalmente, e após a homenagem a dois eminentes brasileiros cujos centenários são lembrados este ano – o de nascimento de Jorge Amado e o de falecimento do Barão do Rio Branco, fundados com Joaquim Nabuco e Rodolfo Dantas do Jornal do Brasil - a presidente do JB, Angela Moreira, convidou a todos para o coquetel e bufê, acompanhados pela apresentação de uma orquestra de corda e sopro.  

Resultado: foi uma festa tipicamente carioca. Descontraída mas rigorosamente planejada, contou com a presença de mais de 250 pessoas que se reencontram ou se conheceram, ouviram música ao vivo, dançaram, apreciaram os quadros, a arquitetura e iluminação interna e externa da Casa Brasil  -  e partilharam a presença do melhor da sociedade do Rio.

Só para citar alguns: Gisella Amaral, Narcisa Tamborindeguy, ex-embaixatriz Michele Corrêa da Costa, Sylvia Marques de Azevedo, a pianista Maria Luiza Nobre, casal Niskier, mestre Pitanguy com a sua irmã Jacqueline e o filho Helcius, a Sra. Paula Oiticica, mãe da Christina, fotógrafo Marco Rodrigues, José Dirceu e senhora, o Cônsul Geral da França, Jean-Claude Moyret, a museóloga Vera Alencar, Sérgio da Costa e Silva (Música no Museu), Yacy Nunes, Teresa Sobral, bastantes estrangeiros, todos clicados pela câmara do veterano Marco Rodrigues e

E o Rio parecia, ao mesmo tempo, uma sossegada cidade dos tempos do Machado de Assis (cujo personagem principal – Bentinho – estudou no Seminário São José, que faz parte do conjunto patrimonial deste imóvel) e a pacificada metrópole que se prepara para receber eventos do porte da Rio+20, da Copa do Mundo, dos Jogos Olímpicos e é, hoje, sem favor, um pólo de cultura, gastronomia, turismo de negócios, música, moda, lazer e esportes.

E a Casa Brasil ressurge como um espaço privilegiado para abrigar seminários, exposições, mesas-redondas, lançamentos, noites de autógrafos e eventos festivos.

Sejam todos muito bem-vindos.