Crítica: 'Filha do mal'

A afirmação de que a "crítica ficou horrorizada" nunca pode ser tão bem aplicada como em Filha do mal, novo "terror" estilo mockumentary. O longa, de William Brent Bell, dominou a bilheteria dos Estados Unidos somando US$34,5 milhões logo na primeira semana. A Paramount adquiriu o filme por apenas US$1 milhão. Apesar do sucesso de público, que deve continuar aqui no Brasil, não nos é apresentada nenhuma novidade e o gênero parece mais uma vez ter sido esquecido.

Filha do mal conta a história de Isabella (Fernanda Andrade, atriz brasileira que já apareceu em diversas séries), uma mulher que decide investigar o passado e presente de sua mãe. Maria (Suzan Crowley) assassinou três pessoas durante um ritual de exorcismo nos Estados Unidos e há 20 anos está internada em uma clínica psiquiátrica. Em sua busca, Isabella recorre a um cinegrafista para registrar essa trajetória, que é a retratada na tela. E mais uma vez a técnica de imagens tremidas, desfocadas, "reais", não traz o resultado esperado. São pouquíssimos os momentos do filme em que se pode sentir medo. 

Na Itália, país em que se localiza a clínica da mãe, Isabella se une a dois jovens padres que possuem seus próprios métodos de exorcismo. Os dilemas vividos por estes, como o medo da igreja, o nervosismo diante das situações, da ameaça de perder o trabalho, são extremamente forçados e cansativos, em que seria bom poder adiantar o filme na telona para chegar logo ao fim.

Infelizmente isso não é possível, como também somos incapazes de tampar os ouvidos para o excesso de gritos no longa. Nem sempre o barulho é assustador. Os poucos momentos que salvam o filme do total fracasso são os que Suzan Crowley aparece, sempre roubando a cena (já que não é algo muito difícil). Fora isso, todo o mais é desnecessário. Para os fãs de filmes no estilo Bruxa de Blair, Atividade Paranormal, não se anime muito pois Filha do mal está muito distante de qualquer um dos dois. Entretanto, assim como nos anteriores, deixa claro que mexer com criaturas de "outro mundo" nunca é uma boa opção.

Cotação: º (Ruim)