Em mais de 15h, UMF leva passistas, música eletrônica e rock a SP

Em um ano em que São Paulo recebeu volume notável dos mais diversos festivais, trazendo ícones de estilos como rock e black music, nada mais natural do que fechar 2011 com um evento efetivamente festeiro, focado exclusivamente na música eletrônica. Em mais de 15h ininterruptas, o Sambódromo do Anhembi viu neste sábado e madrugada de domingo a segunda edição do Ultra Music Festival, maior evento do gênero no mundo, trazendo ao local, além de alguns de seus grandes representantes, características curiosas como passistas e até rock pesado iluminados por seus holofotes.

O UMF foi marcado pela grande estrutura que já apresenta há anos em outras partes do mundo, com um line-up composto por 24 representantes do cenário eletrônico, entre artistas nacionais e internacionais, se revezando em dois palcos. Como destaques, nomes como o Swedish House Mafia, a lendária banda britânica New Order e o duo belga 2ManyDJs.

Apesar das imagens do início do dia terem mostrado um cenário um tanto incomum para o Sambódromo, com espaços completamente vazios, com o passar das horas o público foi chegando em bom número. Segundo a organização do evento, foram 25 mil pagantes.

Heterogêneo

Assim como ocorre no rock e em qualquer outra vertente musical, o estilo eletrônico é pautado por um grande número de subestilos, característica que o UMF primou por prestigiar. Assim, ao longo do dia, os presentes tiveram a oportunidade de dançar ao som do drum´n´bass do Nero, do acid-house do Laidback Luke e da dance music do New Order, tudo no mesmo espaço.

Os brasileiros também não fizeram feio. Quem compareceu ao palco Arena, teve a oportunidade de conferir de perto as performances de alguns dos principais DJs do País, muitos deles parte do time dos melhores do mundo. Artistas como Renato Cohen, The Twelves, Márcio Vermelho e Rodrigo Vieira fizeram a alegria do público à tarde e no início da noite. Outro representante de peso foi o DJ Marky, que elogiou, além da receptividade do público, a qualidade do som e da produção do evento.

Aspectos curiosos

Uma das bandas que mais chamou a atenção por sua peculiaridade musical no UMF foi o duo Death from Above 1979, formado pelos canadenses Jesse F. Keeler e Sebastien Grainger. A dupla fugiu totalmente da lógica de seus colegas de line-up, executando no palco um rock pesado, feito por meio de um baixo de extrema distorção e uma bateria estridente.

Com participação do ex-Sepultura e atual Cavalera Conspiracy Iggor Cavalera, que também esteve no show do Mixhell, a apresentação acabou atraindo à pista um público mais roqueiro e, ao mesmo tempo, afastando os fãs mais fieis do estilo-base do festival. A despeito de ter sido iniciado frente a um pequeno número de presentes, o show foi ganhando adeptos ao longo da execução de seu repertório, já que os fãs do New Order se voltaram ao palco secundário após o término da apresentação dos britânicos.

Outra curiosidade foi a presença de algumas dançarinas fazendo performances durante alguns dos shows realizados no palco Arena. Vestidas de passistas, as garotas deram um ar mais brasileiro ao espaço, sambando enquanto os DJs esquentavam o público em seus pick-ups.

Mesmo com os termômetros chegando a bater nos 15ºC - frio recrudescido pelos fortes ventos, comuns a um espaço aberto como o Sambódromo do Anhembi -, parte do público não se intimidou com o fato. Foi comum ver garotas passeando encolhidas de um lado para o outro com shortinhos e minissaias, garantindo-se com o visual que normalmente exibiriam em um dia quente de verão. O pouco uso de sapatos de salto alto por parte delas, no entanto, mostrou que a vaidade não superou o planejamento para ficar em pé durante as mais de 15h de festival. Em sua maioria, as mulheres optaram principalmente por sapatilhas, botas de cano alto e tênis esportivos.