Crítica: 'Hiroshima, um musical silencioso'

Hiroshima, um musical silencioso caracteriza-se como um projeto pessoal do diretor Pablo Stoll, que escreveu e dirigiu três longas, estando 25 watts (2001) e Whisky (2006) entre eles. Estes últimos foram feitos em parceria com Juan Pablo Rebella que cometeu suicídio em 2006, aos 32 anos. A nova produção seria uma espécie de homenagem de Stoll ao amigo.

Realizado com apenas 100 mil dólares, o filme conta com um parente do diretor como o protagonista, Juan Andrés Stoll, que também se chama Juan em Hiroshima. 

O filme é tão parado quanto Juan, que segue caladão sua vida tranquila, trabalhando em uma padaria e cantando em uma banda de rock (única vez que ouvimos a sua voz). Ao longo desse dia a dia, não há falas, introduzidas em cartelas - no estilo cinema mudo, - mas ouvimos a música o tempo todo. E esse ponto que dá um aspecto interessante ao filme. A conexão do espectador com Juan é justamente ouvir o que ele ouve. Se o fone de ouvido cair, nós também não escutamos mais nada. E são poucas as vezes que o jovem larga o seu som.

Hiroshima, um musical silencioso pode não ser do tipo de filme que a maioria esteja acostumada a ver, além disso, é capaz de não agradar a todo o público (lembrando que está em cartaz em apenas uma sala do circuito), mas vale a pena dar uma chance para o novo e tentar se conectar com a trilha solitária da vida de Juan. Durante pouco mais de uma hora de projeção precisa-se apenas de uma dose de paciência. Para Juan, em suas voltas de bicicleta, haja pernas e pilha para o seu "jurássico" diskman.

Cotação: ** (Bom)