Crítica: 'Leite e ferro'

O contraste metaforizado no título do documentário Leite e ferro não aparece por meio da violência explícita. Pelo menos, não visualmente. 

O documentário mostra a rotina de presas no CAHMP (Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa), que estão no local para o período de amamentação de seus filhos. Quando estes completam quatros meses de idade, são entregues para outra pessoa da família, a uma instituição, ou são adotados, às vezes até de forma ilegal.

Captando o dia a dia dessas mulheres é que vamos conhecendo o "ferro". Vemos a violência nas palavras e nos relatos, muitas vezes chocantes. E é isso que enriquece a produção. Nos aproxima dos sentimentos daquelas mulheres.

No caminho de mostrar as contradições - a maternidade e a vida nas ruas - o documentário foca na história de Daluana, apelido que recebeu após se envolver e ter um filho com o traficante Da Lua.

As filmagens do documentário aconteceram durante um mês do ano de 2007, no Centro onde se encontravam 70 mães e 70 crianças. Mas o CAHMP foi fechado há quase dois anos e as presas realocadas em centros hospitalares.

Dirigido e escrito por Cláudia Priscila, Leite e ferro conquistou os prêmios de melhor documentário e melhor direção de documentário no Festival de Paulínia 2010. E neste ano, o Grande Prêmio na Mostra Competitiva Internacional e Destaque Feminino na Competitiva Nacional do Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino. Todos merecidos. 

Cotação: ** (Bom)