SWU 2011 termina mais organizado mas sem shows históricos

A mudança da Fazenda Maeda em Itu para o Parque Brasil 500 em Paulínia, no interior de São Paulo, só fez bem ao SWU que encerrou na madrugada desta terça (15) sua segunda edição. Mais espaçoso e organizado, o festival corrigiu quase todos os problemas apontados pelo público que reclamou da estrutura no ano passado. Por outro lado, a edição 2011 termina com bons shows, mas sem apresentações históricas como ocorreu com Rage Against The Machine e Queens Of The Stone Age. Entre os destaques deste ano, estão Snoop Dogg, Lynyrd Skynyrd, Stone Temple Pilots, Alice In Chains e Faith No More.

Na questão estrutural, problemas de acesso, como os encontrados em 2010, praticamente sumiram. A sinalização nas rodovias do complexo Anhanguera-Bandeirantes e na rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332) que liga Campinas a Paulínia auxiliaram os fãs que foram ao evento de carro. O principal problema para esses foram os estacionamentos. Caros (R$ 100 para veículos com até três pessoas e R$ 50 para carros com quatro ou mais), os bolsões eram mal preparados para o volume de automóveis e tornaram-se um lamaçal após as chuvas que castigaram a região no domingo e segunda.

A entrada na praça do evento transcorreu com tranquilidade nos três dias. Apesar da promessa de abertura dos portões pontualmente ao meio-dia, pequenos atrasos foram registrados. O maior aconteceu no sábado, devido a uma operação da Polícia Militar na vistoria do Parque Brasil 500, segundo os organizadores. Nos três dias, segundo os organizadores, 175 mil pessoas passaram pelo SWU.

Shows

Assim como foi em 2010, o SWU se dividiu em quatro setores: dois palcos principais - Consciência e Energia, o New Stage e a Tenda Eletrônica. No sábado, subiram aos palcos montados no Parque Brasil 500 nomes como Damian Marley, Kanye West e Black Eyed Peas. Entre os representantes brasileiros ainda estiveram Emicida, Marcelo D2 e Copacabana Club. Mas o grande destaque da noite ficou com Snoop Dogg que, com banda completa, fez uma apresentação empolgante e que segurou o público na mão.

O domingo foi marcado pela miscelânea musical. Os palcos principais tiveram Zé Ramalho, Tedeschi Trucks Band, Chris Cornell e Duran Duran. O dia de vento e chuva atrapalhou o cronograma e o atraso no show do Ultraje A Rigor virou motivo de troca de socos entre a equipe da banda brasileira e roadies de Peter Gabriel que se apresentaria mais tarde. No dia seguinte os dois fizeram as pazes. Mas o grande show foi do Lynyrd Skynyrd, ícone absoluto do southern rock.

No New Stage, os brasileiros do Sabonetes e o grupo !!! (Chk, Chk, Chk) fizeram shows elogiáveis. A veterana e polêmica Courtney Love fez um show irregular e disperso com o Hole. A baixa da noite foi o Modest Mouse que cancelou seu show por não ter recebido o equipamento a tempo. De acordo com a nota oficial a transportadora foi contratada pela própria banda.

O dia de encerramento do SWU foi memorável para os fãs do rock dos anos 90. Nos palcos principais se revezeram grupos como Megadeth (que fez um show enérgico) e Down, do ex-vocalista do Pantera Phil Anselmo. Sob suspeitas de estar encerrando suas atividades, o Sonic Youth fez um show apenas regular, com momentos cheios de gás e instantes de monotonia. No outro lado da moeda, o Stone Temple Pilots mostrou desenvoltura no palco e provou para os fãs que a volta do grupo está além de apenas uma turnê caça-níqueis.

Alice In Chains e Faith No More tiveram a incumbência de encerrar o SWU. Ícones do grunge, o grupo de Jerry Cantrell apostou em um repertório cheio de clássicos e pancadas roqueiras. No fim, a promessa de que o grupo voltará em breve. Já a turma liderada por Mike Patton vive o momento oposto: a banda já anunciou que irá terminar após essa turnê. Em clima de despedida e sob chuva e frio, o grupo não precisou se esforçar para conquistar o público com clássicos como Epic e Out Of Nowhere.

Em resumo, a edição 2011 do SWU contou um line up muito bom, mas bem aquém da programação da edição passada. Assim, quem foi a Paulínia este ano pode conferir apresentações memoráveis, mas não históricas.

Fórum

Quem ganhou mais espaço este ano também foi o Fórum da Sustentabilidade. A segunda edição do encontro contou com mais destaque dentro do próprio evento com passagens de nomes como Celine Cousteau, neta do explorador oceanógrafo francês Jacques Cousteau, Roberta Minchú, ativista vencedora do Nobel da Paz, a ex-candidata à Presidência Marina Silva, a atriz Daryll Hanna e o músico irlandês Bob Geldof.

Mas o nome mais aguardado foi Neil Young. O anúncio da presença do canadense no festival foi muito comemorada pelos organizadores. Young palestrou sobre o meio ambiente no sábado, mesmo dia em que completou 66 anos. E para quem achou que ele não cantaria nada, acompanhou a orquestra juvenil do Projeto Guri de Pirassununga logo após ser homenageado por seu aniversário. Ao lado dos jovens músicos cantou Happy Birthday To Earth.

Estrutura

Em linhas gerais, a estrutura do festival incrementou-se exponencialmente. As praças de alimentação tão problemáticas em 2010 foram ampliadas e contaram um cardápio mais variado. Os preços, entretanto, seguiram salgados. Uma tenda com opções vegetarianas também estreou no festival esse ano.

A presença de uma arquibancada entre os palcos principais ajudou o público a encontrar sombra para descansar. Por outro lado, esse recanto era uma das únicas opções para quem queria fugir do sol. A outra era a Tenda Eletrônica, que não fez lá grande sucesso com o público, mas atrapalhou bastante a rotina do New Stage. Com som sempre muito alto, era quase impossível abstrair das batidas eletrônicas do vizinho barulhento.

Para quem resolveu acampar, a estadia foi mais tranquila que em 2010. A área reservada para o camping contou com um corte de 1000 barracas em relação ao ano anterior. Para este ano, apenas 1500 barracas foram admitidas. A situação do banho melhorou, com chuveiros com água quente e temporizador de sete minutos por pessoa.

Por outro lado as queixas com a limpeza dos banheiros químicos foi frequente entre os que optaram por acampar no Parque Brasil 500. Reclamações de furtos e falta de segurança também foram feitas. De acordo com os organizadore, entretanto, a questão da segurança foi um problema menor comparado ao porte do festival. Segundo os boletins oficiais foram registradas cerca de 140 ocorrências nos três dias de festival, a maioria casos de furtos.

2012

Eduardo Fischer, idealizador do SWU, afirmou que está confirmada uma nova edição do festival para 2012 também em Paulínia. Entretanto, o festival deve mudar de data por conta do período de chuvas em novembro. No ano que vem o festival pode acontecer em outubro ou setembro. Fischer não confirmou se serão três ou quatro dias de festival. Fischer confirmou ainda que recebeu pedidos para levar o festival para Argentina, México, EUA e Catar. "Miami e Catar querem fazer o festival já no ano que vem", adiantou.