Exposição de carros antigos reúne admiradores em Brasília 

Polimento, transporte, reparos feitos, aquele último detalhezinho e pronto, esses carros, que hoje contam a história do automóvel no Brasil já estão no ponto para serem vistos e admirados. É que nesse clube, os veículos são muito mais do que um meio de transporte. São relíquias. Quanto se gasta para preservar ou restaurar um carrão desses, ninguém gosta de dizer. "Não me lembro", "Não foi tanto assim" são as respostas mais recorrentes.

E para mantê-los exatamente iguais ao que eram há 50, 60 e até 80 anos, haja peças exclusivas! Elas são feitas sob encomenda ou importadas do exterior, principalmente dos Estados Unidos. "De dez anos para cá, a realidade de carros antigos mudou muito", conta o presidente do Clube de Veículos Antigos de Brasília, Lipel Custódio. A internet facilitou o contato com fabricantes estrangeiros.

A exposição de carros antigos é o momento áureo desses colecionadores. São 150 associados e a coleção na região Centro-Oeste chega a 700 veículos catalogados. Mas os encontros entre eles são muito mais frequentes. Todo sábado, o grupo se reúne para apreciar os carros, trocar experiências e informações e bater papo sobre os automóveis. E para quem pensa que é um ambiente estritamente masculino, Lipel deixa claro. "É uma confraria familiar. Vão esposas, filhos... todo mundo gosta".

Cada veículo desses conta uma história. O jornalista Carlos Zarur exibe um Ford Phaeton modelo A (apelidado de "Bigode" por causa das alavancas próximas ao volante) de 1928. O carro já apareceu na televisão em pleno horário nobre. Na novela das 21h "Esperança", exibida pela TV Globo em 2002, Maria, interpretada por Priscila Fantin, usa o carro para carregar o filho - um bebê de colo. "Nunca mais lavei o banco", brinca Zarur, referindo-se a beleza da atriz.

Outro antigão que o jornalista tem é uma Karmann Ghia conversível, de 1977. Das 177 fabricadas, estima-se que haja no mundo apenas 40. "Preservar isso é preservar a história do País", diz Zarur. Mas o carro não fica apenas trancado na garagem. Carlos Zarur diz que já pegou estrada com a Karmann Ghia, mas as más condições das estradas brasileiras não permitem que os passeios sejam mais frequentes. "Dá pena, porque as estradas são muito ruins e acabam estragando o carro que você preservou por tanto tempo", lamenta o colecionador.

Os esportivos, por sua vez, são a preferência do empresário Paulo Afonso de Souza. Dos 13 automóveis do colecionador, a vedete é um carro de corrida que foi campeão da Fórmula V em 1969, pilotado pelo bicampeão da Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. O Fitti V, chega a 190 km/h. Paulo Afonso morou no fim dos anos 1960 em Grand Rapids (EUA), próxima a Detroit, na época, meca da indústria automobilística. Ele acha que foi dessa experiência que veio essa paixão por carros.

Fazer parte desse clube não é nada barato, mas pelo menos uma vez por ano, os interessados em automóveis podem ter o prazer de vê-los de perto sem gastar um centavo.