O desafio de Manish Arora, o novo diretor da grife Paco Rabanne

Favorito dos artistas de Bollywood, que adoram suas cores vibrantes, o estilista indiano Manish Arora, que apresenta sua coleção nesta quinta-feira na Semana de Moda de Paris, tem um novo desafio pela frente: criar sua primeira coleção para a tradicional grife espanhola Paco Rabanne.

Arora parece que vai assumir o cargo com a mesma agilidade com que flana por seu ateliê parisiense, ajustando um corpete, corrigindo um decote ou vigiando, com olhos críticos, belas mulheres vestidas com roupas criadas para sua própria marca, uma delas em um corpete preto em forma de gaiola, de onde saem papagaios verdes.

Criar para a marca Manish Arora e para a de Paco Rabanne, que pertence ao grupo catalão Puig e o nomeou diretor artístico em fevereiro, significa um "trabalho dobrado", ainda que a ideia que permeia as duas coleções seja a mesma, explica o estilista indiano.

"São dois desfiles, duas equipes, dois ateliês, dois escritórios", disse Arora em entrevista à AFP em seu ateliê em Paris, na véspera do início dos desfiles da Semana de Moda parisiense, que acontecem até a próxima quarta-feira.

"A única coisa em comum (entre as duas coleções) sou eu", disse Arora, que divide seu tempo entre Paris e Nova Délhi, onde tem um grande ateliê e fabrica parte das duas coleções. O estilista disse que as duas são muito distintas. "Mas a concepção é a mesma: um trabalho com as formas, artesanal, em um espírito quase de alta costura", disse o estilista, que vestia preto com sapatilhas douradas, relógio grande e anel dourado.

"Eu gosto de ouro", confessou Arora, que apesar da formação em Nova Délhi começou desfilando na Semana de Moda de Londres, em 2005, antes de optar, dois anos mais tarde, por Paris, capital da Alta-Costura.

O único indiano a desfilar na Semana de Moda de Paris criou para sua marca própria uma coleção inspirada na pele humana, em todas as suas matizes, desde cores fluorescentes até branco e preto.

"É uma coleção louca, mar crível, que se pode usar", disse Arora, que utilizou tecidos como sedas, chifons e algodão, de olho no mercado europeu.

E para o desfile da Paco Rabanne, marca fundada nos anos 1960 pelo espanhol basco Francisco Rabaneda Cuervo, o famoso Paco, de mãe costureira-chefe no ateliê do histórico estilista Cristóbal Balenciaga, o que propõe Arora?

O estilista não quis falar muito sobre essa coleção, que vai apresentar na próxima terça-feira, limitando-se a dizer que sua fonte de inspiração foram as "formas orgânicas" das esculturas do artista indiano Anish Kapoor, a quem admira muito. "Consultei arquivos. Queria imaginar o que faria Paco Rabanne em 2012", disse, acrescentando que vai oferecer "o brilho do metal, com certeza, mas de maneira não literal".

Este será o primeiro desfile em cinco anos da marca espanhola, que após a saída de Rabanne em 2000 fez algumas tentativas para encontrar um estilista que correspondesse ao que queria propor, mas nenhuma das tentativas teve sucesso, então a marca suspendeu seus desfiles em 2005.

Até que, este ano, a marca espanhola se decidiu pelo indiano Manish Arora, transformando-o em uma das estrelas da temporada de moda parisiense.