Judas Priest empolga público com clássicos e pirotecnia em SP

Quando anunciou sua turnê mundial Epitaph, a última de seus quase 40 anos de carreira, o Judas Priest prometeu para os shows um repertório de clássicos e toda a pirotecnia que marcou o auge da carreira da banda. E, na abertura do giro brasileiro, neste sábado (10), na Arena Anhembi, foi exatamente isso que os fãs presenciaram: jatos de fogo e fumaça, lasers multicoloridos se dirigindo à plateia, correntes espalhadas por todo o cenário e, claro, um hit atrás do outro do quinteto que por muitos é considerado o primeiro grupo da história do heavy metal.

Apresentando o novo guitarrista Richie Faulkner, a banda liderada pelo carismático vocalista Rob Halford abriu o show com Rapid Fire, canção rápida e furiosa que abre seu principal disco, British Steel, seguida por Metal Gods, do mesmo trabalho. "O Priest está de volta", saudou de sua forma tradicional o cantor. "Nós amamos esses maníacos do metal. Vocês estão preparados para um pouco de Judas Priest?".

Enquanto, durante a apresentação do Whitesnake, banda que abriu a noite, o Anhembi estava bastante vazio, quando da entrada do Judas ao palco as coisas melhoraram bastante, com algo em torno de 2/3 da área da pista cheia. O público, em boa parte morno no show anterior, se revelou notório admirador de metal, com os jovens na faixa dos 30-40 anos de idade cantando os refrões, movendo os braços nas marcações rítmicas e balançando a cabeça como nos tempos de adolescência.

Difícil seria pedir a eles que fizessem diferente em um show com canções como Heading Out to the Highway, Victim of Changes, a maravilhosa Diamonds and Rust - executada em formato medley com as duas versões da canção -, Turbo Lover e The Green Manalishi.

Naturalmente, por se tratar de uma banda tão antiga - e comprometida em largar as grandes turnês mundiais -, a apresentação não teve grandes surpresas. Mas, pelos mesmos motivos, aparentemente o público não ligou em para isso. Além de ter a oportunidade de ver pela quarta vez de perto Halford e sua ainda poderosa voz, as dancinhas de Ian Hill (baixo) com Glenn Tipton (guitarra) e a pegada precisa de Scott Travis (bateria) executando clássiocs eternos do estilo, os paulistanos presenciaram ainda uma produção do Judas como nunca haviam visto.

Mesmo na Arena Anhembi, onde tocou em 2005, o grupo não tinha em seu palco mais do que um simples cenário e um grande pedestal de bateria com escadas para proporcionar maior mobilidade aos músicos. Desta vez, um telão ao fundo do espaço estampava capas dos respectivos discos de cada música executada e mostrava vídeos e motivos que as lembravam. Jatos altíssimos e variados de fogo e fumaça davam um ar maior de espetáculo ao show, o que era reforçado com os raios laser formando linhas e triângulos lançados em direção ao público.

Antes do bis - que incluiu Eletric Eye, Hell Bent for Leather, com direito a entrada de Halford no palco sobre uma Harley Davidson, You´ve Got Another Thing Coming e Living After Midnight -, os ingleses executaram ainda a versão de Breaking the Law apresentada pelo vocalista quando de sua vinda ao Rock in Rio III, somente com o público cantando, e a "arrassa-quarteirão" Painkiller, responsável pela formação de pequenas rodas de mosh, as mesmas com as quais os fãs do quinteto tanto se divertiram no passado.

Whitesnake

Assim como ocorreu em 2005, foi do quinteto liderado por David Coverdale a responsabilidade de abrir para o Judas Priest. E, a exemplo da ocasião anterior, a banda de hard rock britânica conseguiu trazer um público extra para um evento que sem ela jamais seria realizado num espaço tão grande quanto a Arena Anhembi - onde a lotação excede as 30 mil pessoas.

Apesar do show bem mais morno do que o da atração principal da noite - inclusive com parcela razoável do público ainda do lado de fora do local - o grupo conseguiu empolgar com hits como Love Ain´t No Stranger, Here I Go Again e Is This Love, todos interpretados por um Coverdale que, mesmo com quase 60 anos de idade, segue cantando com a mesma potência e técnica de sempre - além de ainda manter a pose de galã do rock que ainda arranca suspiros de suas admiradoras.

A vinda do Whitesnake faz parte da turnê de Forevermore, 12º disco de estúdio da banda, cuja capa estampou o cenário do palco durante toda a apresentação.

A boa performance do frontman e de Doug Aldrich (guitarra) Reb Beach (guitarra), Michael Devin (baixo) e Brian Tichy (bateria), no entanto, acabou perdendo um pouco em qualidade devido a um planejamento não muito propício para um set-list de tão pouca duração: os solos. Não que os guitarristas e o baterista não possuam qualidades para exibir em seus instumentos - este último chegou inclusive a tocar somente com as mãos -, mas talvez essas demonstrações fossem dispensáveis em um show de 1h15 min.

A grata surpresa veio na última canção do repertório, Burn, clássico de 1974 gravado por Coverdale na época em que ele era a voz do Deep Purple, banda que o revelou. Para a alegria dos fãs, ainda foi executado durante a música um trecho de Stormbringer, faixa do disco homônimo lançado no mesmo ano.