Com solos e passeio pela discografia, Slash se apresenta em SP

SÃO PAULO - Uma gravação do Hino Nacional brasileiro foi interrompida abruptamente por um solo de guitarra para a entrada triunfal do ex-guitarrista do Guns N' Roses, Slash, na apresentação do astro nesta quinta-feira no HSBC Brasil, em São Paulo. "Boa noite, São Paulo. Vocês estão preparados para o rock'n'roll?", gritou um dos integrantes. O show, que teve duração de duas horas e dez minutos, começou pontualmente às 21h30, e foi um passeio pela discografia da carreira de Slash.

Com a casa cheia - 4.800 pessoas acompanharam a apresentação do músico -, o público se animou logo na primeira música tocada pelo guitarrista: Ghost, faixa de abertura de seu CD solo Slash, lançado em 2010 com a participação de artistas variados (de Ozzy Osbourne a Fergie).

As quatro músicas que abriram o show da noite deram o tom de "passeio" pela discografia do guitarrista que a apresentação teria: depois de Ghost, teve Mean Bone , do Slash's Snakepit, Sucker Train Blues, faixa-título do CD, um clássico do Velvet Revolver e Nightrain, do Guns N' Roses. Todas elas cantadas na voz de Miles Kennedy, vocalista da banda Alter Bridge, formada com ex-integrantes do Creed.

O público, composto, em sua maioria, por fãs que idolatravam o mítico músico, - trajado, como não podia ser diferente, com sua cartola e óculos escuros - pararam atentos em silêncio para acompanhar quatro longuíssimos solos de guitarra incrementados de blues - que, a uma certa altura da apresentação, chegaram a entediar. Simpático com seus "seguidores", Slash chegou a arriscar um português antes de entonar os primeiros acordes de Civil War, da banda liderada por Axl Rose. "São Paulo, obrigado", afirmou, no já manjado sotaque americano.

Com cenário simples - apenas um painel de pano com o desenho da capa do último CD do guitarrista adornava o palco - a apresentação se seguiu, na plateia, entremeada por pulos, headbangins, guitarras aéreas e isqueiros acesos nas mais melódicas, como Starlight, dedicada por Slash a Tóquio.

O guitarrista aparentava muita sintonia com os outros integrantes da banda, principalmente com o baixista Dave Henning, um dos responsáveis por levantar o astral do público, sempre se aproximando e pedindo, com os braços, para que os fãs se agitassem. Foi ele que, no lugar de Myles cantou - com direito a acompanhamento de Slash ao microfone - We're All Gonna Die, música que dá nome à turnê.

Slash, que já tinha realizado uma parceria com seu vocalista no álbum solo e já o definiu como "um dos melhores cantores de rock de hoje" mostrou que os dois falam a mesma língua e a "dupla de frente" funcionou muito bem. Kennedy, apresentado carinhosamente por Slash como "um filho da ...", realizou os covers do Guns e do Velvet com qualidade, sem deixar a desejar.

Depois de incendiar a casa com Sweet Child O'Mine e Slither a banda saiu do palco, retornando em seguida para o bis. Quando se preparava para tocar Paradise City, Slash elogiou seu público, que manteve a energia até o final. "Vocês estão tão incríveis, que eu não quero ir embora".

Slash está apresentando a turnê We're All Gonna Die. Seu primeiro show no Brasil foi nesta quarta-feira (6), no Rio de Janeiro. Na sexta-feira (8), o público de Curitiba recebe o músico no Master Hall (Rua João Palomeque, 80, Novo Mundo). A última vez que Slash esteve no país foi em 2007, com o Velvet Revolver, para abrir o show do Aerosmith, em São Paulo.