"Sertanejo 'universitário' é uma demência", diz Lobão

O cantor Lobão fez declarações típicas de sua língua afiada à jornalista Lorena Calábria, que comanda a atração. "As pesssoas não sabem mais o que é rock n' roll. Cara, esse agrobrega, esse sertanejo 'universotário' é uma demência. Você pode até gostar, mas come cocô. Isso é cocô para se comer", afirmou.

Sobre mainstream e underground, dualidade que sempre aparece quando o assunto é Lobão, o cantor acredita que as bandas do "cenário independente" devem sempre buscar o estrelato. "Eu sou um cara que faz música para tocar no rádio. Sou um hit maker. (...) Eu não sou independente, estou independente, porque eu fui 'by passado'", comentou, em referência ao jabá nas rádios, tema que o cantor sempre levanta quando pode.

O cantor disse também que acredita que o sentido da vida seja "pra cima e pra frente" e não concorda com a ideia de refazer parcerias e só vangloriar o passado. "Hoje em dia, temos grandes artistas também. Cascadura, Macaco Bong, Pata de Elefante", afirmou.

Helio Flanders, vocalista do Vanguart, participou ao vivo, via webcam, do programa e mandou um recado a Lobão. "Quem critica liberdade artística nunca vai gostar de Vanguart, nem de Lobão. Fazemos música contra o bundamolismo artístico no Brasil", comentou.

Antes de apresentar outra sequência musical, Lobão, que se considera atualmente um compositor "gente grande", falou sobre o deputado Jair Bolsonaro. Durante o programa CQC, Bolsonaro defendeu o regime militar e disse que ter um filho gay nem passa pela sua cabeça, pois todos os seus filhos "tiveram uma boa educação". "As pessoas não podem se ofender com isso. Eu não estou defendendo o Bolsonaro. O cara é tosco. Pior. Esse cara representa milhões de pessoas".

Depois de ter criticado a música de bandas como Restart e do cantor sertanejo Luan Santana, Lobão fez uma brincadeira. "Vários fãs de Restart, Luan Santana vão falar: 'seu maconheiro, seu cheirador, você não tem uma vida digna'. Os fãs-clubes desses caras são verdadeiros mini-Bolsonaros".

50 anos a mil

 Lobão usou muito tempo falando sobre sua biografia 50 Anos A Mil, escrita por ele mesmo em parceria com o jornalista Claudio Tognolli. "Eu poderia narrar as mesmas histórias e aquilo ser uma novela mexicana. O mais difícil foi achar o tom entre o jocoso e não ser um palhaço. Acho que ele ficou muito bem elaborado na narrativa".

De acordo com o cantor, há um projeto para o livro virar filme. "Eu achei que o Ritchie poderia ser interpretado por Jared Leto do 30 Seconds to Mars. Eles são parecidos", brincou.

Entre as entrevistas, Lobão tocou seus grandes sucessos, como Decadence Avec Elegance e Song for Sampa.