'Sansão e Dalila' reconstrói ambientes de três mil anos atrás

A Record investiu pesado em arte e cenografia em Sansão e Dalila. Afinal, a produção dos cenários e de todos os objetos de cena desta minissérie bíblica tem importância capital para a emissora. Esta é a primeira produção integralmente gravada em HD, na qual todos os detalhes da imagem são muito mais nítidos e definidos. A trama de 18 capítulos também inaugura a primeira cidade cenográfica construída no RecNov, central de estúdios da emissora, na Zona Oeste do Rio. Em uma área de 2 mil m², foram erguidas diversas construções sob o olhar atento de Daniel Clabunde, diretor de cenografia da trama, e Alexandre Farias, diretor de arte da produção. As casas - que mais parecem cavernas - foram elaboradas com estrutura de madeira e revestimento de poliuretano, lembrando casas feitas de taipa, com terra umedecida e socada. Neste espaço recheado de referências de mais de mil anos antes de Cristo, o diretor de arte recheou o espaço com objetos e detalhes da época, como um forno comunitário da vila e tamareiras, que são palmeiras comuns desse período histórico, além de muitos ornamentos com pele, já que os hebreus criavam ovelhas para a tecelagem. "Não encontramos nada pronto. Se encontrássemos alguma coisa dessa época, estaria em um museu como uma antiguidade valiosíssima. Por isso, tivemos de simular tudo", esmiuçou Daniel.

Como a história se passa num período onde o metal mais utilizado era o bronze, a produção de arte teve de confeccionar todo o material bélico e ferramentas com uma liga de metal mais leve e banhada com bronze. E muitas espadas foram esculpidas em madeira e receberam um banho de bronze para facilitar o manuseio dos atores e dublês. "O que dá mais trabalho é a fundição. Os moldes das espadas têm de ser feitos em torno de 90 dias antes das gravações, as espadas quebram e criam dentes depois dos duelos", ressaltou Alexandre.

Já as cores usadas tanto na cenografia quanto nos objetos de cena tiveram de ser utilizadas em matizes específicos, de acordo com os que existiam nesse período histórico. Naquela época, não havia a cor púrpura ou o roxo e todos os pigmentos eram provenientes das cores de frutas e hortaliças, que eram amassadas para tingir os tecidos. "O verde era o mesmo da hortelã e da carqueja. A cor vinho era proveniente da uva, do figo e da beterraba. Quem mais tingia eram os hebreus, ótimos agricultores", destacou Alexandre.

Numa corrida contra o tempo na construção dos ambientes e suas restritas matizes, o diretor de cenografia começou a ter de ficar mais atento com detalhes nos cenários por causa do HD. Com constantes pesquisas para saber que materiais podiam substituir pedras ou revestimentos pesados e de difícil manuseio, Daniel precisou erguer paredes "de pedra" com isopor pintado, por exemplo. "Preciso de realismo no resultado. O ideal seria um material leve como o isopor, mas que caia no chão na velocidade da pedra. O que o cinema costuma fazer é trabalhar com o isopor imitando pedra e acelerar a velocidade para que o impacto pareça de pedra", entregou.

No entanto, na tecnologia HD não é tarefa das mais fáceis exibir o isopor com a mesma textura de outros revestimentos. "Um furo de prego vira um rombo no HD e até uma digital aparece em um copo", sinalizou o diretor de arte que, em suas pesquisas, decidiu fazer réplicas até de vasos de cerâmica existentes nesse período de duelos entre filisteus e hebreus. Depois de descobrir as estampas em cerâmicas utilizadas na ilha de Creta nessa época, que são motivos marinhos, como polvos e peixes, mandou produzir os mesmos vasos em grande quantidade. "Eles quebram muito em externas e no transporte. Tive de mandar fazer 140 de cada para durarem até o final das gravações. Quanto mais a gente pesquisar e ficarmos atentos às novidades, melhor desenvolvemos este trabalho", valorizou Alexandre.