Ivete lança DVD e reconhece: "artista é louco por palmas"

Depois de lotar o estádio da Fonte Nova, em Salvador, logo no início de carreira, Ivete Sangalo partiu para voos mais altos, incluindo um DVD no Maracanã completamente tomado por fãs e uma apresentação intimista gravada em seu próprio apartamento.

Desta vez, a cantora apostou em um registro bem longe do conforto de casa: Nova York, nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao Terra, a baiana falou sobre a emoção no show no lendário Madison Square Garden - inclusive o momento em que foi às lágrimas - , o que espera desta empreitada internacional, do mercado fonográfico e não esconde o que a motiva como cantora: "O artista, em síntese, é vaidoso, egocêntrico e louco por palma e reconhecimento. A verdade é essa, mas com poesia".

Confira a entrevista com Ivete Sangalo

Terra - Depois de lotar dois estádios e um DVD intimista na sua casa, essa aposta na carreira internacional. Como foi o sentimento de registrar um show longe de seu País? 

Ivete Sangalo - Eu acho que o que me fez ficar tão emocionada foi o fato de estar em outro país por conta do reconhecimento do meu trabalho. As pessoas se mobilizaram para fazer o DVD junto comigo. Fui sentindo isso paulatinamente. Chegando a época do show, os fãs iam se mobilizando e comentando. O Twitter faz com que a gente tenha essa ligação imediata e instantânea. Ali eu tinha a comunidade brasileira no exterior, os brasileiros que foram pra lá e os americanos, que foi quase 50% da casa. Foi uma honra pra mim. E aqueles americanos curiosos: "o que é essa mulher aqui no Madison com essa casa lotada? Abre o jornal com foto dela?". O fato de ganhar fãs e ter os meus fãs ajudando é uma sensação de time. E é o que nós somos. Foi emoção o tempo todo. O momento do show tem o fato de gravar o DVD e ter pensamentos técnicos sobre aquilo. Saber onde entrar, dançar e ter o momento certo. O que você viu no DVD foi o que aconteceu em tempo real. A confirmação de uma dedicação.

T: São tantos anos no palco e tanta experiência. Mesmo assim, você chorou durante a gravação no Madison Square Garden. Ainda é algo que te dá tanta emoção ainda? 

IV: Dá mais. O artista, em síntese, ele é vaidoso, egocêntrico e louco por palmas e reconhecimento. A verdade é essa, mas dentro de uma poesia, não é uma coisa pejorativa. Com alegria, poesia, uma história de vida e a sedução da música. A música me enlouquece. Eu viajo, me transporto. Você está ali fazendo uma coisa que adora podendo se exibir, dividir com outras pessoas e tendo reconhecimento. Agora o que é mais legal, as pessoas ávidas por coisas novas vindas de você. Isso é uma assinatura de credibilidade. Quando você pensa isso no meio da emoção com a banda tocando e as pessoas ali com aquele olhar de amor, só o computador não chora.

T: Muitos enxergam a carreira internacional como algo motivado pelo ego. Você estampou no seu material de divulgação frases como "o Brasil no Mundo". Você se enxerga como uma embaixadora do País? 

IV: Eu me sinto também. Uma pessoa que faz parte desse time e joga o Brasil lá no cenário musical. É preciso que as pessoas entendam e é dever do artista saber elucidar essas situações. Quando se fala em carreira internacional, as pessoas pensam que a Ivete vai gravar hip-hop, fazer um clipe com um artista americano e vai bombar nas rádios do mundo inteiro. Não é assim. É um artista brasileiro que tem seu som, suas características e vai tentar entrar no mercado do mundo. Não necessariamente só no norte-americano. Quando falo mercado internacional falo Argentina, Colômbia, México, Portugal, Espanha, enfim.

T: Já tem alguma estratégia? 

IV: Isso leva um tempo de dedicação. Estrategicamente eu acho que não se pode largar seu público. Tenho interesse no meu País e ele é prioridade. Vou fazer um trabalho como se fosse um recomeço mesmo, mas suportada por muitos anos no Brasil. Eu não posso esbarrar na vaidade artística de estar "no primeiro lugar". Os artistas que tiveram calma e paciência, persistindo naquilo, chegaram. Tem que ter um conteúdo verdadeiro. É um primeiro passo.

T: Você já tem um DVD no Maracanã, que é maior que o Madison Square Garden. Da onde veio a ideia do registro em Nova York? 

IV: O Madison tem um poder de atenção da mídia como se fosse templo da música mundial. Existe uma "assinatura" do lugar. Um carimbo. Quem vê um DVD ao vivo de uma cantora lá, já tem outra impressão.

T: Você é famosa por sempre trabalhar em todos os patamares do disco e shows. Como foi nesse caso? 

IV: O show em si foi concebido artisticamente por mim e Alexandre Lins, que sempre foi produtor de meus discos. A gente trabalha há muito tempo junto. Então ele traz ideias e eu também e muitas vezes é a mesma opinião. Tudo o que é relacionado a estética do show é dedo meu, também pra otimizar o tempo. A noção do palco e do show é toda capitaneada por mim, com ajuda de muita gente. O conceito é meu. Na parte de divulgação, eu também me envolvo. Não sou a pessoa que determina, mas somos um grupo. Eu não trabalho só.

T: Seu disco tem lançamento exclusivo na internet no Terra Sonora. O que você acha da música neste formato?

IV: O Terra Sonora inclusive ganhou o Prêmio Música Digital. Eu estava lá. Arrasaram. Acho que a gente precisa de uma situação legal na internet pra driblar o mau caratismo. A questão do download é muito bem vinda pra usufruir da internet em benefício do consumidor, compositor, artista e daquele que acredita e investe. Querendo ou não é um mercado. O artista precisa ser respeitado. Quando ele faz um trabalho e dá a disponibilidade é preciso de respeito. Esses veículos vieram em um momento bom. No meio da pirataria, os artistas perderam a oportunidade de estar ligados a gravadoras gigantecas e a mídia para um seguimento que dá oportunidade. Sou uma internauta assídua e sou favor do que é legal.

T: Fora o DVD, o que os brasileiros verão deste show? 

IV: Vamos começar essa turnê depois do Carnaval. Os meses que antecedem as festas são de verão com muita cara de trio elétrico. Para começar a turnê e ter a responsabilidade de correr as principais capitais com o show completo, vou fazer um "madissinho", com algumas pequenas ausências de cenário em função do tamanho das casas.