Exposição Universal de Xangai termina com recorde de visitantes

     XANGAI -  A Exposição Universal de Xangai fecha suas portas no próximo domingo, após seis meses marcados por uma afluência recorde de 71 milhões de visitantes, um desfile de chefes de Governo e Estado e uma nova demonstração da capacidade da China de organizar grandes eventos. Os organizadores estimam ter alcançado os objetivos desta exposição, aberta com grande pompa no dia 1º de maio com a participação de 189 países, cujos estandes ocuparam uma área duas vezes maior que a do principado de Mônaco.

Desde o início, a China não escondeu a intenção de bater o recorde da Exposição Universal de Osaka, que recebeu 62 milhões de visitantes em 1970. Em Xangai, o total de visitantes deve ultrapassar os 71 milhões, 95% dos quais são chineses. Este impressionante número foi ajudado, em parte, pelas entradas gratuitas e pelas visitas coletivas organizadas por empresas.

"Esta exposição pode marcar uma etapa importante da modernização chinesa", disse à AFP Xu Bo, vice-secretário geral da organização do evento. Verdadeiros batalhões de jovens voluntários e um serviço de segurança sem falhas evitaram que incidentes negativos marcassem a mostra, repetindo o sucessso dos Jogos Olímpicos de 2008, disputados em Pequim.

Se menos 5% dos chineses têm recursos para viajar ao exterior, a exposição permitiu que a população visse um pouco do resto do mundo sem sair de Xangai, destacou Xu Bo, principalmente porque cada um dos países participantes procurou expor neste vitrine de alta visibilidade o melhor de sua cultura e tecnologia.

A Dinamarca, por exemplo, exibiu a célebre Pequena Sereia de Copenhague, enquanto a França apresentou pinturas impressionistas do Museu D'Orsay.

Os grandes acontecimentos do ano também tiveram destaque: a Espanha expôs a taça conquistada na Copa do Mundo da África do Sul, e o Chile levou para seu estande uma réplica da cápsula usada no histórico resgate dos 33 mineiros presos em uma mina no deserto do Atacama.

Na última semana da exposição, os países fazem suas contas: a França se orgulha de ter o pavilhão mais visitado, com mais de 10 milhões de pessoas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, será o último convidado de honra do evento. Em seis meses, passaram pelos gigantescos pavilhões de Xangai os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, da França, Nicolas Sarkozy, e do Irã, Mahmud Ahmadinejad, assim como a chanceler alemã, Angela Merkel, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e membros de diversas casas reais.

Para Xangai, capital econômica da China, a exposição deixará um grande legado: a restauração do mítico boulevard The Bund, além da construção de centenas de quilômetros de linhas de metrô e trens de alta velocidade e de um terminal aeroportuário.

Estas renovações, no entanto, tiveram um custo: edifícios históricos foram demolidos, e milhares de pessoas foram despejadas - legalmente, segundo as autoridades. E, se Xangai gastou 60 bilhões de dólares para montar a exposição, seus visitantes deixaram 12 bilhões de dólares em seus cofres, de acordo com a agência Xinhua.