Green Day faz show de 3 horas para 20 mil em SP

     SÃO PAULO - Acostumados com atrasos de artistas internacionais, os brasileiros tiveram uma surpresa nesta quarta-feira. Depois de uma rápida performance do tradicional "Pink Bunny" (coelho rosa), os integrantes do Green Day subiram ao palco montado no Anhembi, em São Paulo, para fechar a turnê no Brasil, por volta das 21h30, meia hora antes do horário anunciado.

Sob o comando do carismático Billie Joe Armstrong, que se comporta durante toda a apresentação como um verdadeiro mestre de cerimônias, o trio californiano - que no palco se torna um sexteto com seus músicos de apoio - fez a alegria dos 20 mil fãs da banda. Depois de 12 anos sem pisar em solo brasileiro, o Green Day fez um retorno triunfal ao país. "Integrantes extras", mensagens políticas, efeitos especiais e muitas piadas durante o show funcionam como aparatos para seus sucessos mais recentes, como Know Your Enemy, Boulevard of Broken Dreams e American Idiot, canções responsáveis por dar novo fôlego e renovar os fãs do trio.

É claro que quem conferiu a apresentação, que conta com dois bis e mais de trinta músicas, também relembrou os tempos do endiabrado Billie Joe com cara de maluco e guitarra cheia de adesivos. She, When I Come Around, Brain Stew e Basket Case empolgaram todos que cresceram com o trio nas paradas de clipes da MTV.

O show

Por volta das 21h30, trinta minutos antes do horário anunciado da apresentação, surge no palco Pink Bunny, personagem tradicional nas apresentações da banda. Munido de duas garrafas de cerveja - da marca patrocinadora do evento - o personagem as toma e faz danças ao som de YMCA, do Village People. A piada só é cortada minutos depois com os riffs de Song of the Century, canção dessa "nova leva" de hits do Green Day.

A sequência dessa fase de "ópera rock" do trio já é suficiente para empolgar os fãs. Explosões, fogos de artifício, colunas de fogo e outros aparatos dos grandes shows de arena são usados sem economia pelos americanos. Após 21st Century Breakdown, Billie Joe já faz a primeira interação com o público. "Hey hey São Paulo, estão prontos?", questiona. De cara, já convida um fã para o palco e "obriga" o convidado a pular no público fazendo um stage dive.

No palco, o trio que segurava a bronca com canções rápidas e diretas, agora conta com um guitarrista e mais dois músicos que se revezam nos violões e teclados. Com isso, Billie corre, deita, pula e aproveita toda sua liberdade para empolgar ainda mais os fãs, que, literalmente, deitaram e rolaram no palco.

Depois de dar um selinho em uma fã e convidar um garoto para uma performance no palco, o vocalista intimou um seguidor para cantar a música Longview. Não contente com a participação, o menino cantou, gritou, correu pelo palco, se jogou no chão e até roubou uma baqueta de Tre Cool para fazer barulho nos pratos. A interação com a banda lhe rendeu um prêmio: a guitarra de Billie Joe. "Você foi o mais louco de toda a nossa turnê. É sua", disse o vocalista, que aproveitou algumas oportunidades para mostrar o bumbum para o público, que respondeu com gritos.

"Este é o nosso último show aqui. Guardamos o melhor para o final", disse Billie. "Faz 12 anos que o Green Day não toca no Brasil. Agora vamos nos mudar para cá. Eu odeio a América", gritou o vocalista, responsável por interagir a todo minuto com o público puxando palmas, coreografias e dezenas de "olê olê olê".

Deixando as brincadeiras de lado, a volta do Green Day ao Brasil provou ao seus fãs que seu repertório cresceu e está lado a lado com o de grupos de grandes arenas. Hits de álbuns como Dookie (1994), Insomniac (1995) e Nimrod (1997) caminham juntos com os sucessos de American Idiot (2004) e 21st Century Breakdown (2009), álbuns responsáveis por atingir uma nova geração.

Não suficiente, o grupo ainda emenda dois medleys com clássicos do rock lembrando Iron Man (Black Sabbath), Rock N Roll (Led Zeppelin, Sweet Child O Mine (Guns N Roses), Highway to Hell (AC/DC), Baba O Riley (The Who), Break on Through (The Doors), Satisfaction (Rolling Stones) e Hey Jude (Beatles).

Tudo isso somado com canções que ficaram grudadas na adolescência de milhares de jovens como She, Basket Case e When I Come Around é mais do que suficiente para prender a atenção de diversas gerações de fãs do Green Day, que soube se renovar com o passar do tempo.

A única coisa questionável neste vasto setlist é a opção de encerrar a apresentação "para baixo". Com momentos cheios de explosões, jatos de água na plateia e uma verdadeira festa à fantasia em King for a Day, o trio, já no segundo bis, se despede com e Good Riddance (Time of Your Life). Mesmo sendo dois hits pra lá de consagrados dos americanos, esse clima de introspecção fica estranho para quem pulou durante três horas no Anhembi.

Falando no local do show, vale lembrar que a arena ao lado do Sambódromo continua enfrentando problemas. Quem chega e deixa o local encontra muito caos para se locomover. O espaço aberto também deixa o som estourado muito a desejar. Sorte que o Green Day deu conta do recado e essas reclamações provavelmente passarão batidas.