Sétima edição da Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis (Fita) reúne 55 espetáculos

 

 

 

Vai até o dia 17 de outubro a sétima edição da Festa Internacional de Teatro de Angra (Fita), que começou no último sábado, com dois palcos a beira-mar. Em 23 dias, serão exibidos 55 espetáculos, sendo 11 estréias. O evento acontece na Praia do Anil, no Centro de Angra. São dois palcos, com capacidade para 1.500 - palco SESC - e 500 pessoas - palco Transpetro.

João Carlos Rabello, criador e organizador do evento, conta que, há 30 anos, promove espetáculos de teatro em Angra dos Reis e que sempre teve a idéia de criar um festival na cidade.

- Eu imaginava fazer um festival de teatro em Angra, mais para receber pessoas do que para fazer teatro – disse Rabello, que é jornalista por formação e deixa claro que não é ator, diretor ou crítico de cinema.

A proposta da Fita é criar um espetáculo destinado ao público, mas sem abrir mão da qualidade das peças.

- A gente faz um festival do ponto de vista da platéia, não é um festival para crítico – explica o organizador da festa.

João Carlos diz assistir cerca de 600 peças antes de convidar os artistas e fazer a seleção definitiva do que será apresentado.

- A qualidade do festival melhorou muito em termos de estrutura e em quantidade de público. Isso prova que o teatro tem público. Eu acho que (A Fita) é uma iniciativa brilhante, acho que tem que ser um exemplo para governos e autoridades e para a iniciativa privada – disse o ator Marcos Caruso, que apresentou o espetáculo As Pontes de Madison, ao lado de Denise Del Vecchio, Adriana Londoño e Marcos Damigo.

As Pontes de Madison é uma adaptação do livro de mesmo nome, que deu origem a um filme, estrelado por Clint Eastwood. Conta a história de uma dona de casa que vive um romance com um fotógrafo da National Geographic durante quatro dias, enquanto sua família estava de viagem. A peça está em cartaz há um ano e meio. Começou em São Paulo, depois foi para o Rio de Janeiro. Agora está viajando pelo Brasil e subiu ao Palco Sesc da Fita na última quarta-feira (29/9). O ator Marcos Caruso está de volta ao festival após estrelar Intimidade Indecente , com Irene Ravache, na segunda edição.

Na mesma noite, se apresentou Açaí e dedos, da atriz Carla Faour. O espetáculo retrata uma família carioca que, depois de abandonada pela mãe, que sai para o supermercado e nunca volta, é obrigada a repensar seus laços, enquanto tenta descobrir seu paradeiro. O elenco conta ainda com Babu Santana, Ivan de Almeida, Sheron Menezes e Thaís Garayp.

- Já estava querendo vir (para o festival) há muito tempo. É um festival grande e muito bom. Acho importante estar aqui para divulgar o trabalho – disse Carla Faour, que assina o texto da peça, o quarto de sua autoria.

Na edição passada, a Fita patrocinou a peça Cochambranças de Quaderna, de Inês Vianna. Este ano, repetiram a iniciativa e abriram inscrições para patrocínio. Os dois espetáculos selecionados foram Zé Vagão da roda fina e sua mãe Leopoldina, peça infantil com José Loretto e a Companhia Teatro Livro Aberto, e Gimba, da Companhia Dramaturgia Carioca, baseado em texto de Gianfranceso Guarnieri. As inscrições foram feitas pela internet e a escolha final foi do organizador do evento, João Rabello.

Além disso, foi organizado, este ano, um atelier de atores, com o objetivo de preparar artistas de Angra dos Reis, que participarão das duas peças escolhidas. Segundo Rabello, durante junho e julho, cerca de 50 atores – selecionados entre mais de 250 inscritos – participaram da oficina e receberam aulas com renomados diretores de teatro. Destes 50, nove irão atuar nas peças patrocinadas.

- Cochambranças de Quaderna foi um sucesso no Rio de Janeiro. Recebeu muitas críticas e foi indicado para o prêmio Shell. A partir daí, a gente resolveu fazer a montagem e preparar os atores, no atelier da Fita – conta o organizador.

- É incrível apresentar a peça na Fita. É o que todo carioca que gosta de teatro almeja – disse Fernando Dolabella, produtor e ator de Gimba.

Segundo Fernando, o espetáculo é baseado em uma adaptação do texto de Gianfranceso Guarnieri, feita por Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus. Gimba, o personagem principal, representa a figura do malandro e a peça é uma visão romântica da favela.

Além de patrocínio do SESC e da Petrobras, a Fita tem apoio da prefeitura de Angra dos Reis, por meio das fundações Cultuar e TurisAngra. Este ano, 11 mil ingressos foram distribuídos para crianças e a meta é que 100 mil pessoas participem do festival. Na última edição, o público foi de 93 mil pessoas.