Casa FRança-Brasil recebe exposição 'Hélio Oiticica – Museu é o Mundo'

- Olhei de fora e pensei que o espaço estivesse em reforma. A frase é da estudante de administração Ana Resende, de 18 anos, que ao lado da amiga Flaviane Fernandes, de 19, esteve na tarde desta quinta-feira (23/9) na Casa França-Brasil para visitar a exposição “Hélio Oiticica – Museu é o Mundo”. Se bem que visitar não é bem a palavra apropriada para descrever a mostra...

Quem percorre as instalações passa por uma experimentação sensorial que começa logo na entrada, onde é possível passar “por dentro” de uma das obras, intitulada Penetrável da Gal, uma série de filetes azuis de plástico.

Passando por ela, um segundo “estranhamento”: os “visitantes” são convidados a tirar os sapatos, pisar na areia e prosseguir por uma espécie de circuito chamado “Éden”, um conjunto de vários ambientes que integrou a primeira exposição do artista em Londres, na White Chapel, em 1969.

Antes de percorrer as instalações, Ana pergunta se tem mesmo que tirar os sapatos, ainda achando tudo meio esquisito, mas decide tirar e conhecer as obras. Alguns minutos depois ela volta:

- Tô adorando a areia. É terapêutico. Muito legal a exposição – afirma, animada.

Assim como ela, outros visitantes deixam os calçados de lado para entrar no mundo do artista plástico brasileiro, que nasceu em 1937 e morreu em 1980. Na verdade, as obras na Casa França-Brasil fazem parte da maior retrospectiva já realizada sobre o artista, com cerca de 90 obras, mais filmes, fotografias e documentos. Com curadoria de Cesar Oiticica Filho e Fernando Cocchiarale, a mostra cobre todos os períodos da produção do artista, um dos mais pesquisados e exibidos, mundo afora, dentre os nomes brasileiros.

Ancorada no Paço Imperial e na Casa França-Brasil, a exposição abrange ainda obras monumentais instaladas em espaços públicos do Centro, Zona Sul e Zona Norte do Rio: praças XV e do Lido, Aterro do Flamengo, área externa do MAM, Centro Cultural Cartola e estação Central do Brasil.

Dessas obras monumentais, estão quatro raríssimos penetráveis, que não foram vistos por ocasião da exibição realizada em São Paulo, de março a maio deste ano, e em outros pontos da capital paulistana. São eles: “PN 16” (ou “PN Nada”), nunca realizado em tamanho natural, concebido em 1971 para a Praça da República, em São Paulo, e que fica na Praça XV; “Éden”, na Casa França-Brasil; “Mesa de Bilhar – Apropriação d’après O Café Noturno de Van Gogh”, que fica na Central do Brasil, nunca mostrada desde que foi criada, em 1966; e “Bólide Área Água”, na Praça do Lido, não visto desde que foi feito, em 1970.

O penetrável “PN28 – Nas quebradas”, de 1979, ficará no Centro Cultural Cartola, na Mangueira; e “A Invenção da luz”, de 1978/80, ficará no Aterro do Flamengo. No MAM Rio, próximo à passarela de acesso, estará o penetrável “PN14 – Map”, de 1971.

Em cada um dos pontos onde estarão as obras, haverá uma sinalização com o circuito completo da exposição na cidade. A ideia é que cada obra sirva de porta de entrada para o universo do artista. A retrospectiva tem patrocínio da Petrobras, do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado de Cultura.

A Casa França-Brasil fica na Rua Visconde de Itaboraí; funciona de terça a domingo, das 10h às 20h. Mais informações pelo telefone (21) 2332-5120.