Mostra sobre Amos Gitai reflete conflito entre judeus e árabes

Convidado ilustre do Festival do Rio, o cineasta israelense Amos Gitai ganha mostra especial no evento

Para Amos Gitai, território é política. Israelense, o diretor que ganha este ano uma mostra especial no Festival do Rio e é convidado ilustre do evento tem uma obra sintomática do conflito que por tantas vezes passou do lado de fora e de dentro de suas janelas. As relações entre Israel e o mundo árabe, tal como o título de um outro filme de um outro diretor chamado Wim Wenders, refletem o estado Tão Longe, Tão Perto entre povos cujo diálogo, ou ausência dele, parece pautar o cerne de toda animosidade do mundo. Os filmes de Gitai que serão exibidos no Rio dão uma panorâmica desse olhar de um diretor que, treinado arquiteto, sedimenta sua narrativas com os únicos pilares essenciais para qualquer boa história: personagens. Dos filmes mais recentes, a mostra traz Mais Tarde Você Vai Entender (2008), Aproximação (2007), atualmente em cartaz em algumas salas alternativas do Brasil, Free Zone (2005), Alila (2003) e o único documentário selecionado: Notícias do Lar/Notícias de Casa (2005), um tipo de Edifício Master do diretor israelense, em que ele revisita um prédio em Jerusalém que, nos anos 1980, abrigava judeus e palestinos. Entre esses, Mais Tarde Você Vai Entender e Free Zone, o primeiro pelo elemento de memória e o segundo pela força feminina, trazem abordagens necessárias à questão da relação entre judeus e a sua construção de valores. Aproximação tenta apontar na mesma direção, mas se equivoca com uma narrativa cuja estética se sobrepõe aos personagens, deixando o filme bem acima do tom. Já Alila experimenta na linguagem e pode se tornar um objeto de estudo interessante do ponto da narração. Entre os títulos mais antigos, o festival exibe Esther (1985), Berlim Jerusalém (1985) Golem - O Espírito do Exílio (1991), Kadosh - Laços Sagrados (1999), Kippur - O Dia do Perdão (2000) e Kedma (2002), este último o filme que já levou o prêmio da crítica na Mostra de São Paulo. Todos, sem exceção, refletem a política territorial que parece estar tatuada não apenas em Gitai como em vários outros cineastas cuja formação nasce da fundação de mitos sobre os povos, como se eles fossem apenas uma entidade coletiva, e nunca individual.