Saiba o que esperar dos filmes no Festival de Veneza

Portal Terra

S O PAULO - Com O Lutador, Darren Aronofsky venceu há dois anos o Leão de Ouro, principal prêmio da Mostra de Arte Cinematográfica de Veneza. Ele volta agora ao Lido, a ilha veneziana onde acontece o festival, para inaugurar no dia 1º de setembro a 67ª edição do evento com Black Swan.

Mas para além da esperada polêmica deste thriller de alta voltagem sexual, com Natalie Portman no elenco, chama atenção mais uma vez a escolha de um filme americano para abrir o concurso oficial. Tem sido assim há alguns anos na gestão de Marco Müller à frente de uma das três principais vitrines da cinematografia mundial, ao lado de Cannes e Berlim.

Da mesma forma, o Brasil, e de maneira mais ampla a América Latina, continuam com minúscula representação. Os brasileiros participam fora de concurso com Lope, de Andrucha Waddington, uma co-produção espanhola, e o curta-metragem O Mundo É Belo, de Luiz Pretti. Apenas o Chile, entre os latino-americanos, figura na competição com Pablo Larraín e seu Post Mortem.

Até a entrega dos prêmios no dia 11, haverá mais cinco concorrentes vindos dos Estados Unidos, o que não é desprezível numa lista de 23 competidores. Mais especialmente porque são nomes de peso como Sofia Coppola (Somewhere), a filha de Francis Ford Coppola, o ator e diretor Vincent Gallo (Promisses Written in Water), o veterano Monte Hellman (Road to Nowhere) e Julian Schnabel (Miral), ainda que este último em co-produção com Israel. Menos conhecida e de caráter independente, a diretora Kelly Reichardt completa a delegação com Meek¿s Cutoff.

A lista, que prossegue longa nas mostras paralelas, não só reafirma o laço com esse cinema quase sempre mais palatável, como garante a presença na festa das celebridades, ou ao menos nomes reconhecíveis pelo público, caso de Michelle Williams, Willem Dafoe, Vanessa Redgrave, Stephen Dorff e Benício Del Toro. Some-se a essa constelação Jessica Alba, Robert De Niro e Lindsay Lohan, que integram o filme de Robert Rodriguez, Machete, escalado fora da competição em sessão especial da meia-noite, logo no primeiro dia do evento.

Ainda vale lembrar a vinda de Dustin Hoffman, Paul Giamatti e Rosamund Pike, intérpretes da produção canadense de língua inglesa Barney's Version, de Richard J. Lewis.

Mas ainda que seja um peso consciente do evento, ele é amplamente equilibrado pela seleção oficial de títulos europeus e asiáticos, estes últimos já uma tradição da casa, embora em número menor este ano. Um dos destaques é o vietnamita Anh Hung Tran, que filmou Norwegian Wood no Japão. No primeiro bloco há nomes prestigiados como os franceses François Ozon (Potiche) e Abdellatif Kechiche (Venus Noire), o irreverente espanhol Álex de La Iglesia (Balada Triste de Trompeta) e o alemão Tom Tykwer (Drei).

Uma das últimas aquisições do evento, quando a lista oficial já estava fechada, foi Essential Killing, do respeitado polonês Jerzy Skolimowski. Como de hábito, a presença local é representativa, com quatro italianos disputando os "leões", entre eles, Saverio Costanzo (La Solitudine dei Numeri Primi). E como costuma acontecer também, tamanha solidariedade com a cinematografia do país define-se facilmente como um exagero ao final da festa.