Relações entre paisagem e cidade inspiram fotógrafa Emma Livingston

Julia Corson, Jornal do Brasil

RIO - As árvores estão presentes de forma constante no cotidiano de quem vive em cidades grandes. Mas muitas vezes passamos por elas sem dar a menor atenção. Elas servem como banheiro para nossos cachorros, lixo ou simplesmente para compor uma paisagem urbana. Tentando compensar a nossa negligência diária, a fotógrafa inglesa radicada na Argentina Emma Livingston realizou Tree portraits, série de fotos de paisagens da cidade tendo as árvores como protagonistas. A coletânea compõe, com outras duas coleções, a exposição Paisagens interiores, que inaugura sexta-feira no Ateliê da Imagem Espaço Cultural. Com curadoria de Claudia Buzzetti, é a primeira exposição da fotógrafa no Brasil.

Emma mora em Buenos Aires há cinco anos, mas a conexão com a argentina vem desde cedo, já que sua mãe é de lá.

Ter duas culturas me ajuda do ponto de vista artístico, porque ganho a visão de quem vem de fora reconhece Emma. Gosto de captar pelo que a maioria dos transeuntes argentinos apenas passa reto, sem notar. A série Tree portraits é um sinal da natureza na cidade. A árvore na paisagem urbana funciona como uma referência do que entendemos por paisagens naturais.

Emma começou a unir natureza e fotografia em 2005. Depois de se formar em história da arte, na University College London, e pegar toda a referência das técnicas dos pintores com a natureza, resolveu fazer uma viagem fotográfica pela Argentina e não voltou mais. Seu trabalho em NOA foi realizado no nordeste da Argentina, durante essa primeira viagem, na qual fotografou paisagens monocromáticas e abstratas da natureza local.

Não há, na Europa, nada parecido com que captei em NOA explica a fotógrafa. Seus efeitos foram muito impactantes para mim. É a natureza em sua maior forma. Mexe com o psicológico e com o emocional, principalmente por ser um ambiente frio e solitário, mas, ao mesmo tempo, imenso e diversificado.

Busca de arquétipos

Já Tree portraits foi um processo mais lento, não planejado, e que permanece em aberto: Emma pretende continuar fotografando as árvores em outras grandes cidades do mundo, seguindo o mesmo conceito da árvore como link da natureza no cenário urbano, e mantendo o padrão com a mesma luz e a mesma técnica de câmera.

Há diferenças consideráveis entre as duas coletâneas, tanto no aspecto visual, tanto no que diz respeito a luz e cores, quanto no tema. Enquanto NOA foca exclusivamente a paisafem intocada, Tree portraits apresenta uma natureza inserida em outro contexto, que não o seu original no caso, a cidade.

A busca de arquétipos é similar à de fotógrafos alemães como Andreas Gurski, mas no lugar de escolher vestígios industriais, a fotógrafa foca o olhar sobre a natureza. A referência, contudo, não foi intencional.

Se houve associação, não foi uma ligação direta corrige Emma. Com Tree portraits , quis simplesmente passar a minha interpretação sobre a vida das plantas nas grandes cidades, sugerindo que talvez devêssemos refletir sobre a presença da natureza nas metrópoles.

>> Em cartaz

Paisagens Interiores

Ateliê da Imagem

- Av. Pasteur 453 Urca (2541-3314). Abertura sexta-feira. De 2ª a 6ª, de 10h às 21h; sáb de 10h às 18h. Grátis.