Louis Bélanger abre o FFM com 'Route 132', no qual explora emoções

Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil

MONTREAL, CANADÁ - Gerard Depardieu virá para dar uma aula magna. O veterano Betrand Tavernier já está na cidade para lançar um novo livro e exibir La princess de Montpensier, na noite de encerramento. Até lá, serão exibidos obras de mestres como Zhang Yimou, Carlos Saura e Jean Becker, dentro de uma programação que comporta mais de 400 títulos. Sempre discreto, o multicultural Festival de Filmes do Mundo, em Montreal, parece querer disputar os holofotes com o vizinho, Toronto, essencialmente americano. Mas para o diretor Louis Bélanger, que abriu a 34ª edição do FFM na noite de quinta-feira com Route 132, a suposta animosidade entre as duas contendas até tem seu lado positivo.

Falar de rivalidade entre festivais é um tanto desconfortável, porque desvia a atenção do grande mérito desses eventos, que é permitir a aproximação entre filmes e o público. Correndo o risco de parecer egoísta, posso dizer que, quanto mais houver festivais de cinema no mundo, melhor para os meus filmes disse o autor de Post mortem (1999), seu longa-metragem de estreia, com o qual Bélanger ganhou o prêmio de direção do FFM dez anos atrás. Também estreei aquí meu segundo longa, Gaz bar blues (2003). Montreal sempre serviu como ótima plataforma de lançamento para meus filmes.

Bélanger afirma que falar de competição entre Toronto e Montreal pode parecer um pouco de exagero, porque os dois festivais têm perfis e ambições diferentes . Tanto assim que Route 132 também figura na grade de Toronto, que será aberto dia 9 de setembro com o musical Score: A hockey musical, de Michael McGowan, Olivia Newton-John e Nelly Furtado. O novo filme de Bélanger não conta com grande nomes hollywoodianos ou estrelas da música internacional no elenco, mas tem integridade suficiente para representar o cinema canadense recente no mercado estrangeiro.

Route 132 promove o reencontro entre dois antigos amigos que atravessam tempos difíceis: Gilles (François Papineau) acaba de perder o filho de 5 anos de idade e não consegue lidar com a tragédia; Bob (Alexis Martin) vende relógios de origem suspeita pelos bares de Montreal para ganhar uns trocados. Sentindo-se traídos pela vida, os dois decidem pegar a mais longa autoestrada do estado e roubar incautos pelo caminho. A dupla chegará ao final da jornada, repleta de desvios emocionais inesperados, completamente renovada. O Roteiro foi coescrito por Alexis Martin, que tem sua carreira fincada no teatro.

É um filme sobre como lidar com a perda de um ente querido mas, Route 132 oferece um dado novo, pois é raro ter uma história de fundo emocional como essa ser contada do ponto de vista de um personagem masculino. Isso não acontece nem em teatro contou Martin.

O filme de Bélanger contrapõe personagens urbanos à realidade das cidades do interior canadense, habitada por aposentados e internos de asilo para idosos. O diretor diz que Route 132 expõe uma periferia que está perdendo sua juventude .

O repórter viajou a convite do festival