Lionel Richie fez seu primeiro show no Rio regendo a Arena HSBC

Lula Branco Martins, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Valeu a pena esperar em vários sentidos. A espera foi longa, até Lionel Richie incluir o Brasil numa de suas turnês. O cantor e compositor americano, surgido na banda Commodores, no fim dos anos 60, e que na década de 80 estourou em carreira solo, finalmente deu o ar de sua graça. Primeiro se apresentou em São Paulo, sábado. E domingo foi a vez de cantar no Rio, no palco da Arena HSBC, em Jacarepaguá.

Aí entra a segunda longa espera. O show estava marcado para as 20h30, mas já eram 21h20 e nada de Lionel. O público da arena (ocupando dois terços dos 10 mil lugares) já começava a se manifestar. Mas na verdade era um misto de vaia e aplauso. Muitos estavam realmente chateados: o lugar mais barato, no nível 3, longe do palco, custava R$ 220, um preço que não condizia com a demora.

Houve também quem aplaudisse, ou gritasse, ou mesmo vaiasse mas de nervoso. Ouvir de perto, pela primeira vez na vida, o autor de Three times a lady, We are the world e All night long não era coisa pouca. O nome do sujeito nem devia ser Lionel Richie: Lionel Hit seria adequado também.

E estavam todos os hits lá. Dois deles se converteram em momentos especialmente bonitos: Still, que ele cantou ao piano, e apenas com uma passagem, sem nem repetir refrão; e Endelss love, canção originalmente gravada em duo com Diana Ross, mas que na Arena HSBC ganhou a voz da multidão fazendo as partes da cantora. Encantado, Lionel questionou, para o delírio do público:

Puxa, assim, quem precisa de Diana?

Os sucessos foram se passando, a maioria com arranjos carregados, repletos de teclados e saxofones, mas que davam espaço para o piano solo nas baladas, como Hello e Easy. Nos telões, às vezes rolava uma letra mas nem era preciso, pois a plateia de fãs quarentões e cinquentões estava afiada no inglês. E até a modelo Mirella Santos (ex-de Latino) conseguia cantar sem ler.

Nas baladas, o telão tinha borboleta, coração e lua. Nas músicas para dançar, uma festa de cores era exibida. Simpático, ele dizia a todo momento Rio, Rio, Rio , que loucura e inacreditável . Privilegiou, não se sabe o motivo, o lado direito da plateia e, volta e meia, ordenava que as pessoas ficassem de pé, para dançar. Nem sempre o expediente funcionava, ainda mais quando a canção era das novas, portanto desconhecida. No bis, quando veio All night long, aí sim todo mundo se levantou, de forma espontânea, para balançar o esqueleto esta é a força de um verdadeiro hit.