Filme mostra o corintianismo na visão dos torcedores

Eliano Jorge, Portal Terra

S O PAULO - Um grupo talentoso, sem planejamento, trabalhando ao sabor do acaso, carente das melhores condições financeiras, sem saber aproveitar seu potencial de mercado, embalado pela devoção ao Corinthians, com uma diretoria ausente e apoiado pelo amor da torcida, consegue ser bensucedido após muito sofrimento.

Não se trata de nenhuma trajetória do clube alvinegro num campeonato.

É a síntese da produção do documentário Só quem é sabe o que é, que, em acidental metalinguagem, resume a mais autêntica filosofia corintiana. No autopropalado estilo "maloqueiro e sofredor", o típico "isso é Curíntia, mano".

O filme de 45 minutos resultou de 60 horas de gravação em 2008, durante a campanha do título da Série B do Campeonato Brasileiro e a derrota na final da Copa do Brasil. Ele se desenvolve em depoimentos de ídolos e torcedores corintianos, com duas exceções palmeirenses: o cineasta Ugo Giorgetti e o historiador Flavio de Campos.

Na opinião da roteirista Phydia de Athayde, é a autenticidade de "vídeo-guerrilha" que afasta Só quem é sabe o que é dos diversos outros filmes lançados recentemente sobre o Corinthians.

- Em termos de tema, o Fiel é o que mais se aproxima do nosso. A diferença é que ele pegou os coritianos, pediu para eles tomarem banho e irem pro Pacaembu vazio para dar entrevista; a gente pegou os corintianos, sujos, no meio da arquibancada lotada, gritando.

Ela conta que a equipe resolveu iniciar o projeto às vésperas da estreia alvinegra na segunda divisão. "A gente tem que filmar isso. Vai ser especial", concluíram. Porém, ao chegarem à entrada do Estádio do Pacaembu, ainda se perguntavam o que iam fazer.

Como o clube já tinha outras pessoas em projeto parecido, não permitiu filmagens de treinos, jogos e bastidores. Por isso avisa a sinopse: "Este é um documentário sobre futebol que não mostra jogadores ou mesmo uma bola". E, de fato, isso estranhamente não faz a menor falta.

- Muito rapidamente, percebemos que o que nos interessava era mostrar o corintianismo, a maneira como os torcedores se relacionam com a paixão pelo time - conta Phydia, que co-assina a direção do filme com o também jornalista Ronaldo Bressane e o designer Artur Voltolini.

- É um filme amador - ressalva ela, confessando que os três jamais haviam trabalhado com um produto áudio-visual. Cinema também era novidade para Gabriel Braga e Luis Rodrigues A.S.M.A, da Porqueeu Filmes, que, com experiência em videoclipes, incumbiram-se de filmagem, edição de imagens e montagem. Todos penaram no processo.

- A gente apanhou muito. Todo mundo tinha outros trabalhos e outras prioridades. Então, a gente fazia quando dava tempo - relata a jornalista Phydia de Athayde.