Bastidores de campanhas políticas aquecem mercado de trabalho

JB Online

RIO - Foi dada a largada para a 'corrida' ao trabalho temporário nas eleições. Essa é a hora em que a movimentação dos bastidores das campanhas políticas começa efetivamente a requerer maior número de trabalhadores direcionados para a preparação da publicidade de políticos espalhados por todo o Brasil. Apesar de temporárias, as oportunidades abertas podem ser um 'trampolim' para negócios.

D. Santos, 45 anos, conta que na última campanha eleitoral prestou serviço de motorista para a equipe de um partido político durante todo o período de produção da campanha. Eu trabalhava muito, tinha hora para entrar, trabalhava finais de semana e não tinha hora para sair. Consegui um faturamento excelente e pude investir em um pequeno negócio próprio. Quando terminaram as eleições ainda fui contratado para ser motorista da produtora onde o trabalho foi desenvolvido .

Outro caso de sucesso é o do técnico em informática Luciano Marinho que, há 10 anos, presta serviços para candidatos. Autônomo, ele vê no trabalho a oportunidade de adquirir novos clientes fora do período eleitoral. Eu trabalho durante as eleições e ainda ganho, a cada campanha, novos clientes. Os meus 'patrões temporários' gostam do meu serviço e sempre me indicam para terceiros. Assim, eu fico tranquilo fora do período eleitoral .

Além de movimentar um efetivo de trabalhadores temporários que fazem desde a pré-produção até a finalização da campanha, o aquecimento ainda continua no dia da eleição e posteriormente, caso haja um segundo turno. E há chances em todas as regiões do país.

A socióloga do trabalho da Academia do Concurso, Natália Pacheco, destaca que a movimentação gera emprego e renda para milhares de pessoas envolvidas direta e indiretamente na divulgação das campanhas eleitorais.

Já é possível ver nas ruas veículos plotados, correligionários vestidos com camisas dos seus partidos, assim como uma infinidade de banners, faixas e os panfletos de candidatos , ressalta.

Segundo o professor do Centro de Estudos Alexandre Vasconcellos - CEAV Alessandro Lopes Pereira, cada candidato é capaz de gerar uma estrutura empresarial completa: setor financeiro, logística, supervisão, controle de qualidade, marketing, planejamento e coordenação estratégica e assessoria de comunicação, levando em consideração ainda contratações para panfletar, colocar cartazes, placas, dirigir carros de som, cozinhar e outras atividades .

Alessandro afirma que, indiretamente, as gráficas quadriplicam seu efetivo em época de campanha; pessoas largam o seu emprego e transformam seu carro pessoal em carro de som, cujo valor diário cobrado é, em média, de R$ 320,00/8h, gerando uma renda mensal de, pelo menos, R$ 7.040 por 22 dias de trabalho; se usado 30 dias/mês, o dono levará para casa R$ 9.000 .

O professor revela que os profissionais envolvidos com marketing em geral são os mais requisitados. O candidato é um 'novo produto' que precisa ser conhecido. É preciso mostrar as qualidades e os benefícios deste produto. É preciso popularizá-lo. Este profissional é muito utilizado para criar o slogan da campanha, definir o público alvo, 'maquiar' o candidato, transformando-o no 'melhor produto' que existe no mercado .

Outro profissional muito requisitado, na opinião de Alessandro, é o assessor de imprensa (comunicação). Ele precisa estabelecer uma ligação entre o candidato e seus eleitores, através de informações jornalísticas e procura controlar o tipo de informação que é veiculado na mídia, principalmente via internet , salienta.

Somente os 'candidatos de carreira', aqueles que conhecem toda a estrutura e seus benefícios, planejam as contratações. Mas o maior problema está relacionado ao custo da campanha, ao custo dessas contratações. Muitos candidatos não estão preparados para cobrir sozinhos esses valores, pois, na maioria das vezes, o partido não os apoiam. O custo mínimo de uma campanha estruturada é de R$ 900 mil para deputado , explica.

O professor acredita que os candidato