Não há elaboração dramatúrgica na coletânea monólogos da Marijuana

Macksen Luiz, JB Online

RIO DE JANEIRO - Esses Monólogos da marijuana, em cartaz no Teatro dos Quatro, são a repetição de uma fórmula, inaugurada pelos Monólogos da vagina. A série de depoimentos, tratados em tons entre o humor e o casual, a ironia e o deboche, se apoia em temas, de certo modo, polêmicos, seja pelas revelações verbais de interditos na convivência social, seja pelo deliberado desejo de ser politicamente incorreto.

Como o modelo original foi um sucesso em várias partes do mundo, os atores-autores americanos Arj Barker, Doug Benson e Tony Camin resolveram reproduzi-lo com novo objeto de exploração, e experimentaram estrear no off-Broadway. O êxito, na medida do tema e da ideia requentada, repetiu-se nestes solilóquios sobre a maconha.

A estrutura é a mesma, com três atores no palco que divagam sobre os condicionantes, legais, medicinais e vivenciais do consumo da erva. De frente para a plateia, falando diretamente com o espectador, o trio lança provocações em frases curtas, como se parodiasse convenções e contornasse preconceitos.

Com ajuda do envólucro da comédia, circula-se pelo ambiente e comportamentos associados à droga, historiando seu uso e suas consequências. Não há muita elaboração dramatúrgica nesta coletânea sobre tema único, e, caso o interesse seja relativo sobre a temática, a montagem acaba por se esgotar depois de algumas piadas e outras tantas observações engraçadinhas.

O material, por mais polêmico que possa parecer (e realmente o é), não tem carga dramática suficiente para se sustentar como cena. A introdução de um filme, com personagens que vivem experiências com a erva num local público, demonstra bem as dificuldades de ampliar, visual e cenicamente, as limitações do formato dos monólogos e a monotonia da conversa sem variações.

A direção de Emilio Gallo se concentra no histrionismo dos atores, que têm de estar sempre preparados para movimentar as falas, passadas de um a outro, num ritmo de afiado jogo verbal. Marcos Winter, excessivamente irônico, Stella Brajterman, se apoiando no caricatural, e Felipe Cardoso, bem à vontade, desempenham por 70 minutos a versão nacional desta marca globalizada cênica.