Nova série da Globo mostra ações que transformam a vida da comunidade

Paulo Ricardo Moreira , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Um filho de pescador do Ceará que nunca tinha visto dança enfrentou preconceito para virar bailarino, entrou para o grupo de balé do Teatro Municipal do Rio, se apresentou na Europa e, anos mais tarde, voltou à sua cidade natal para criar uma escola de balé que virou referência na dança clássica. Histórias como a de Flávio Sampaio serão contadas na série Brasileiros, que estreia nesta quinta-feira, na Globo.

Repórteres-âncoras

Em nove episódios, o programa jornalístico vai destacar cidadãos que, por meio de suas ações, ajudaram a transformar a vida de sua comunidade. Edney Silvestre, Marcelo Canellas e Neide Duarte serão os repórteres-âncoras de três histórias cada um, mas, na verdade, vão aparecer pouco em cena, já que a série privilegia os depoimentos dos brasileiros.

A interferência dos repórteres é mínima. As pessoas narram suas histórias adianta Edney Silvestre, que sugeriu o projeto há dois anos. É um programa sem apresentador, sem estrutura convencional.

No episódio de estreia, o personagem é o ex-bailarino e agora professor Flávio Sampaio. Em Paracuru, no litoral do Ceará, ele fundou uma escola de balé que hoje tem 200 alunos, filhos de pescadores e lavradores da região.

Quando Flávio disse que queria ser bailarino, o pai o amarrou num tronco e bateu até o filho desmaiar conta Silvestre, que fez a entrevista.

Outra história, em reportagem de Marcelo Canellas, é de uma psicóloga paulista que, ao perceber que crianças de um abrigo para menores não tinham nada que contasse suas histórias, teve a ideia de criar uma espécie de álbum da vida de cada uma.

No Rio, Neide Duarte mostra o trabalho da criadora de um projeto que promove a inclusão social de portadores de deficiências. Eles têm aulas, gratuitas, de natação e hidroginástica, sendo que as turmas são compostas por pessoas portadoras ou não de necessidades especiais.

Tem muito trabalho bonito feito por brasileiros que ninguém nunca viu ou ouvir falar diz Edney Silvestre.

O programa descobriu os brasileiros que fazem após pesquisas feitas em jornais. Duas produtoras se encarregaram de checar as informações antes de começarem as gravações. Silvestre conta que a equipe já chega ao local com a câmera ligada:

É sempre a mesma equipe, com duas câmeras. Registramos tudo.

Mesmo antes de estrear, o jornalista revela que o programa já tem sugestões de 10 histórias para uma segunda temporada.

O brasileiro quer se ver mais profundamente.

Silvestre está muito impressionado com o que viu nos nove episódios:

Isso reforça minha esperança. É uma realidade. São brasileiros inconformados que resolveram transformar o país a partir do universo à sua volta. É a história do cara que não sabia que podia fazer, e por isso foi lá e fez.