Junto com a estreia de 'Príncipe da Pérsia', Record lança quadrinhos

Pedro de Luna*, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Ao longo do tempo, certos videogames se tornaram tão populares que viraram filme. É o caso de Príncipe da Pérsia, criado no final dos anos 80 para o modelo Apple II, e relançado diversas vezes para computadores e consoles diferentes. Na carona da estreia da adaptação para o cinema produzida pela Disney e dirigida por Mike Newell, em cartaz nos cinemas cariocas desde sexta-feira, o selo Galera da editora Record lançou no Brasil uma versão em quadrinhos da trama.

Para entender o presente, é importante voltar ao início de tudo. E ninguém melhor para falar sobre isso que o próprio Jordan Mechner, criador do game, no posfácio do livro. Fazer HQs era uma ocupação perfeita para um garoto inclinado à solidão e que sonhava acordado. E os jogos de computador tiveram o mesmo efeito nos anos 80 .

Inspirado nas histórias de Ali Babá, Simbad, Aladim e no conto As mil e uma noites, Mechner terminou de programar o jogo no final da década de 80. Aos poucos ele foi se popularizando e, em 1992, tornou-se um sucesso mundial. Foi quando lançamos a segunda aventura do príncipe, The shadow of the flame , relembra o autor, fã dos quadrinistas franceses Hugo Pratt, Enki Bilal e François Schuiten.

Vinte anos depois, Príncipe da Pérsia, o jogo, contabiliza 10 milhões de cópias vendidas em todo mundo. Em março deste ano foi lançada mais um desdobramento do game, The forgotten sands, que começou a ser planejado logo depois que o filme protagonizado por Jake Gyllenhaal teve início. Aliás, quando a Disney decidiu produzir o longa-metragem, Mechner sabia que era a hora de realizar um sonho antigo e transformar Príncipe da Pérsia também numa novela gráfica: Queríamos que a conexão com os videogames fossem num nível mais profundo. Não queríamos que fosse evidente logo na primeira olhada .

Com o objetivo de fazer uma nova abordagem sobre a obra, Mechner montou uma equipe de primeira, com o roteirista iraniano A.B. Sina e o casal de ilustradores Le Uyen Pham e Alex Puvilland. A versão em HQ respeita a importância do tempo que no game aparece em forma de ampulheta, como o prazo para o jogador cumprir a missão dividindo a história em duas dimensões paralelas, se alternando entre os séculos 9 e 13.

O livro preza pelo romance e a aventura, com uma boa direção de arte, utilizando tons amarelos, marrons e pastéis, próprios da região desértica. Também preservou o lado filosófico, representado pela figura do pavão e do leão, com mensagens positivas. Em duas cenas distintas, por exemplo, o príncipe repete a mesma frase: Ninguém me deu o poder de tirar uma vida . Resta saber até onde o filme terá semelhanças com a HQ, na qual a princesa tem um olho amarelo e outro verde. Afinal, mesmo com tanta tecnologia, ainda é mais fácil criar o impossível com um papel e uma caneta.

Especial para o Jornal do Brasil*