José Carreras seleciona público para seu concerto em SP

Portal Terra

SÃO PAULO - O tenor José Carreras começou sua apresentação na noite de segunda-feira, em São Paulo, mostrando porque era considerado apenas "o outro" quando cantava ao lado de Plácido Domingo e Luciano Pavarotti no que se chamava concerto dos 3 Tenores. Sem abrir espaço para a imprensa e permitindo que esta assistisse apenas ao "bis", composto por três músicas, de seu concerto, ele deu um show de como não divulgar seu trabalho e reforçou as tiradas do episódio da série de humor Seinfeld em que o grupo de amigos se esquece do nome de quem se apresenta com Domingo e Pavarotti e o apelida de "o outro".

A plateia do show não era diversificada no quesito faixa etária, mas era possível notar a presença de alguns norte-americanos e espanhóis que acompanham a carreira de José e vieram prestigiar a apresentação do músico em São Paulo. Entre eles, Amy Munday, 62, uma dona de casa norte-americana que já viu Carreras soltar a voz em Barcelona, sua terra natal, em Nova York e também em Madrid. "Gosto de viajar para lugares diferentes e ver meu ídolo cantar. É um jeito diferente de conhecer lugares e estar sempre acompanhada por boa música", ela disse.

Além de Carreras, também se apresentaram a soprano Ailyn Perez, que encantou a plateia com sua versão de I feel pretty, famosa pelo musical West Side Story, o maestro Miguel Soprano e a Orquestra Sinfônica da USP. Juntos e em perfeita harmonia, eles encantaram o público e fizeram as cabeças balançarem sem nenhum esforço no ritmo certo da música.

Outros destaques foram as músicas Solamente una vez e Aquarela do Brasil, ambas entoadas por Carreras e com total apoio do público presente. Ao final, ainda que sem esbanjar em samba no pé, alguns casais se animaram com a descida de uma bandeira do Brasil ao fundo do palco e arriscaram alguns passinhos de dança.

Empolgada, Maria Cristina Mertes, 45, administradora, falou: "Gosto de ir a concertos. Tudo é muito glamuroso, as pessoas se arrumam para um evento assim. E mesmo em cima do salto alto, estou aqui mostrando que sou brasileira. Não nego minhas raízes e não resisto a um bom samba, ainda que em ritmo de ópera".