Chopin: 200 anos bem brasileiros

Bernardo Costa, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Homenageando o bicentenário de Frédéric Chopin (1810-1849), a Rio Folle Journeé 2010, que começa nesta quarta-feira, vai explorar as relações entre o erudito e a música popular, aproximando as peças do célebre compositor austríaco ao repertório de músicos brasileiros que tiveram influência de sua obra, como Ernesto Nazareth e Antonio Carlos Jobim. Ocupando o Teatro Municipal, o Auditório do BNDES e o Teatro João Caetano até domingo, a terceira edição da maratona anual de música erudita propõe a transposição da obra de Chopin para formações habitualmente voltadas para a execução do choro.

Grupos como o sexteto de Maurício Carrilho, o quarteto Maogani e o Terno Carioca fazem parte da experiência, que pode revelar algumas surpresas em relação às semelhanças entre Chopin e alguns de nossos compositores. O violonista Luiz Flávio Alcofra, que integra o Terno Carioca ao lado Lena Varani (clarinete) e Pedro Aragão (bandolim e violão tenor), tocará nesta quarta-feira, às 18h, no auditório do BNDES, obras de Ernesto Nazareth compositor que, segundo o músico, teria sido diretamente influenciado por Chopin.

Tocaremos algumas composições que têm semelhanças com a obra de Chopin, principalmente em Confidências e Fidalga, cujas linhas melódicas se aproximam compara o violonista. De Chopin tocaremos a Valsa nº 2, gravada por Jacob do Bandolim, e a Mazurca em Fá# menor op. 6 n. 1, que tem um ritmo que se adapta bem à nossa formação.

Com um projeto de inserir a gaita na música de concerto, José Staneck apresentará nesta quarta-feira, no anexo do Teatro Municipal, um repertório que mistura o compositor polonês e Tom Jobim.

Quando Chopin compôs suas peças, a gaita nem existia lembra Staneck, que será acompanhado pelo pianista Flávio Augusto. Então, sei que tenho uma liberdade poética para transcrever suas composições para a gaita, podendo inclusive imprimir minha personalidade na execução. Já o Jobim teve muita influência da música clássica, e juntei os dois para mostrar como as suas composições dialogam. Prelúdio nº 4 e Insensatez, por exemplo, têm elementos em comum, e, por isso, vamos emendar as duas no nosso repertório.

Outro destaque será a rara apresentação da obra integral de Chopin para o piano, executada em ordem cronológica em 14 concertos no Teatro Municipal, a partir de quarta.

É uma oportunidade única para o público carioca diz Helena Floresta, diretora do festival. Já nas peças compostas para piano e orquestra teremos as participações dos pianistas Arthur Moreira Lima e Nelson Freire. Também destacaria a participação do músico e professor José Miguel Wisnik, que dará uma palestra sobre Chopin, com ilustrações ao piano.

>> Destaques

Orquestra Petrobras Sinfônica e Nelson FreireTeatro Municipal. Hoje, às 20h30.

Miguel Rosselini (piano)

Anexo do Teatro Municipal. 5ª, às 17h30.

Quarteto Maogani

Teatro João Caetano. 5ª, às 12h30.

Sexteto Maurício Carrilho

Teatro João Caetano. 5ª, às 15h30.

Eduardo Monteiro (piano)

Teatro João Caetano. 5ª, às 18h30.

Sylvia Thereza (piano)

Anexo do Teatro Municipal. 6ª, às 17h30.

Mônica Salmaso e José Miguel Wisnik

Teatro João Caetano. 6ª, às 18h30.

Alexandre Dias (piano)

Anexo do Teatro Municipal. Sáb., às 12h30.

José Miguel Wisnik

Anexo do Teatro Municipal. Sáb., às 19h30.

Arthur Moreira Lima

Teatro João Caetano. Sáb., às 18h30.

Orquestra Petrobras Sinfônica e Arthur Moreira Lima

Teatro Municipal. Dom., às 19h.