Clássico de 1972 é relançado com disco-bônus de inéditas

Jornal do Brasil

MARCO ANTONIO BARBOSA - Na semana passada, um disco dos Rolling Stones chegou ao topo da lista de álbuns mais vendidos no Reino Unido. O grupo não conseguia emplacar um número 1 há 16 anos. Sintomático que o disco responsável pela façanha seja um relançamento, o retorno de um trabalho lançado originalmente há exatamente 38 anos: Exile on Main St. Marco absoluto na discografia dos Stones, o álbum é frequentemente apontado como um dos melhores discos da história do rock. A banda nunca mais repetiria o nível de inspiração atingido neste disco e, paradoxalmente, veria sua sua fama e fortuna multiplicarem-se de forma espantosa.

Inédita sai como single

Em 1972, Exile era um LP duplo, uma relativa extravagância para a era do vinil. O relançamento atual também é duplo (mas em CD) e expande, em seu disco extra, as 18 faixas originais para um total de 28. Nada menos que oito músicas inéditas surgiram dos arquivos das complicadas sessões de gravação (comandadas de forma caótica por Keith Richards, à época no auge de seu vício em heroína). A pungente Plundered my soul, levada por Mick Jagger com uma interpretação cuspida, quase desesperada (os vocais foram gravados em 2010 e não vêm das sessões originais), foi lançada como single para marcar o relançamento. É uma espécie de elo perdido da sonoridade que os Stones perseguiam no disco: rock'n'roll encharcado de paixão e crueza, cruzando diversas influências da música negra americana (gospel, rhythm'n'blues, soul). Uma massa sonora que não foi bem compreendida pela crítica em 1972, mas que com o tempo viria a ser considerada o ápice da criatividade dos Stones. O balanço quase funkeado de Pass the wine (Sophia Loren), o boogie blueseiro de I'm not signfying e a pauleira de Title 5 demonstram a versatilidade do grupo, assim como as versões alternativas de Soul survior e Loving cup.

Do resto do disco, não há muito a acrescentar sobre um dos álbuns mais dissecados da história da música pop. Exile marcou o fim da fase dos Stones guiados por Richards (que privilegiava um som mais urgente e roqueiro). Sob a produção de Jimmy Miller, as 18 músicas do álbum original soavam como uma torrente na qual vocais, guitarras e metais lutavam ferozmente pela proeminência. A confusão sônica na verdade realçava o brilho das composições, que incluíam uma série de clássicos stonianos eternos a começar pela emblemática faixa de abertura, Rocks off. Tumbling dice, Soul survivor, Let it loose, Shine a light e Happy se juntam com louvor à lista, que ainda inclui covers dos blues ancestrais Shake your hips (Slim Harpo) e Stop breaking down (Ro bert Johnson). Pós-Exile, os Stones não seriam os mesmos: o racha entre Mick e Keith cresceria, o primeiro tomaria as rédeas da banda, e o resto seriam pedras rolando através da história.