Sob chuva, Aerosmith toca enxurrada de clássicos em Porto Alegre

Portal Terra

PORTO ALEGRE - Sob uma leve garoa, que em alguns momentos tomou a forma de chuva, o Aerosmith lavou a alma dos fãs e tocou um repertório cheio de clássicos da banda. A apresentação da turnê Cocked, Locked, Ready to Rock Tour!, realizada no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira, levou o público ao delírio especialmente nas faixas I don't want to miss a thing, Crazy, Dream on e Walk this way.

A impressão é de que o tempo parou para Steven Tyler (vocalista), Joe Perry (guitarrista), Brad Whitford (guitarrista), Tom Hamilton (baixista) e Joey Kramer (baterista). Calejado pelos 40 anos de shows no mundo inteiro, o grupo ainda possui quase a mesma vitalidade e técnica do começo da carreira, nos anos 70, e da explosão de hits nos anos 90.

Deixando de lado os rostos enrugados e a aparência um pouco mais franzina dos músicos, a essência que fez do Aerosmith uma das maiores bandas de rock de todos os tempos está toda lá. O destaque positivo ficou por conta da pontualidade. Poucos minutos depois das 22h - horário marcado para o começo do show - a imensa bandeira preta com o logotipo da banda que cobria o palco caiu e vieram os primeiros acordes. Love in an elevator foi o cartão de visitas.

O setlist agradou tanto aos fãs que gostam do trabalho antigo da banda quanto aos que preferem os recentes sucessos. Além de Dream on, Sweet emotion e Mama kin fizeram os saudosos dos anos 70 bater palmas. Entre as músicas que lideraram as paradas no fim da década de 90 e início dos anos 2000, além de I don't want to miss a thing, trilha do filme Armageddon, as canções Pink e Jaded foram muito celebradas.

Mesmo com um repertório grande de mais de 20 músicas, muitos clássicos ficaram de fora. Alguns lamentos por parte do público foram as ausências de Amazing, Eat the rich e Hole in my soul.

Os recentes desentendimentos entre os músicos que quase resultaram na saída de Tyler da banda não se refletiram no palco. Apesar da chuva, o vocalista passou a maior parte da apresentação em uma parte descoberta do palco que avançava sobre o público. Suas danças características, sempre acompanhadas de caras e bocas, levantaram a multidão em alguns momentos em que o resto da banda pareceu perdido no palco.

A falta de diálogo e outros tipos de interações com a plateia acabaram decepcionando parte dos fãs. "Foi meio burocrático. Comparando com outros shows recentes, como Metallica e Guns N' Roses, esse pareceu 'xôxo'", disse Monica da Luz. "A impressão que dá é que pra eles é só mais um show. Mas valeu a pena", afirmou Marcos Cunha. Por outro lado, houve quem achou a apresentação perfeita. Tatiane Valvitz, fã da banda, disse que o grupo mostrou o mesmo 'pique' dos shows de décadas atrás. "É até difícil definir em palavras. Foi o melhor show da minha vida", resumiu.