Do minimalista ao espetacular

Daniel Schenker , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O favoritismo de In on it é inabalável. Depois de sair premiada da última edição do Prêmio Shell, a montagem de Enrique Diaz para o texto de Daniel MacIvor conquistou algumas das principais estatuetas do Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro): as de Melhor Espetáculo, Direção e Ator (dividida entre Emílio de Mello e Fernando Eiras). Foi a vitória da simplicidade, da economia de recursos diante de uma obra de qualidade e de duas ótimas interpretações.

Este espetáculo é um ato de amor, principalmente no que se refere ao modo como foi feito destaca Enrique Diaz. Era para ser um trabalho hiperdiscreto, pequeno, e que nos levou, na verdade, a um aprendizado. Até hoje Emilio e Fernando repassam cenas antes das apresentações. Percebo que realizamos algo que é maior do que nós

Iluminação aplaudida

O minimalismo de In on it não reinou sozinho, de acordo com as decisões do júri (formado por Macksen Luiz, crítico de teatro do Jornal do Brasil, Barbara Heliodora, Tânia Brandão, Lionel Fischer e Mauro Ferreira), distantes do lugar-comum, reveladas segunda-feira à noite, no Teatro Fashion Mall. As meninas, encenação de Amir Haddad para o texto agridoce de Maitê Proença e Luís Carlos Góes, centrado no confronto de duas crianças com a morte, ganhou em muitas das categorias concorreu: Texto, Atriz Coadjuvante (para Patrícia Pinho) e Figurinos (de Beth Filipecki). E O despertar da primavera, musical de Charles Möeller e Claudio Botelho que proporciona uma releitura do texto de Frank Wedekind, referente à sociedade repressora do final do século 19, ao som do rock, saiu com os prêmios de Ator Coadjuvante (Rodrigo Pandolfo), Cenografia (Rogério Falcão, que dividiu os aplausos com Bia Junqueira, responsável pelas cinco gangorras que valorizaram a encenação de Na solidão dos campos de algodão) e Iluminação (Paulo César Medeiros). A vitória de Paulo César, aliás, rendeu o agradecimento mais emocionante da noite.

Dedico este prêmio a Charles e Claudio. O amor e a dedicação deles ao trabalho são tão grandes que o mínimo que a equipe pode fazer é o melhor enaltece. Lembro também que, no início da minha carreira, quando cursava direção teatral, Ítalo Rossi, na época em cartaz com Um e outro, me disse: Você pode fazer a sua faculdade, mas será iluminador .

Paulo César referiu-se ao veterano ator, homenageado dessa edição do APTR, bastante aplaudido pela plateia (a começar pelo amigo e parceiro profissional Sergio Britto), ao subir ao palco, após bela exibição de um vídeo com alguns de seus trabalhos, para encontrar Vera Fischer, com quem contracenou em Gata em teto de zinco quente, versão de Moacyr Góes para a peça de Tennessee Williams.

Vou guardar esta noite para sempre no meu coração disse um sintético e comovido Ítalo Rossi.

Surpresas marcaram as escolhas das atrizes. Premiada no último Shell, Beth Goulart ganhou de Fernanda Montenegro e Marília Pêra por sua detalhada recriação de Clarice Lispector.

Não posso acreditar. Vim para aplaudir duas divas do teatro brasileiro confessou Beth.

Patrícia Pinho não conteve as lágrimas durante seu discurso de agradecimento.

Todas nós nos sentimos indicadas afirmou, acerca das colegas de cena, Vanessa Gerbelli, Clarice Derziê Luz, Sara Antunes e Analu Prestes.

Um pouco mais esperada foi a vitória de Rodrigo Pandolfo, indicado anteriormente, tanto por O despertar da primavera quanto por Cine-teatro Limite, de Pedro Brício.

Aprendi agora que teatro é uma profissão completamente dependente, em especial dos nossos parceiros de cena observou o ator.

Fechando a noite, Eduardo Barata, presidente da APTR, subiu ao palco para entregar o prêmio de melhor produção, conferido a Cult Marketing e Eventos Ltda., por O zoológico de vidro, espetáculo de Ulysses Cruz para o texto de Tennesee Williams.

- É o quarto ano que fazemos o Prêmio APTR e o terceiro sem patrocínio algum sublinhou Barata.