Cidade Negra lança seu oitavo álbum, 'Que assim seja'

Pedro de Luna, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Vinte anos de estrada e muitos sucessos na bagagem, o Cidade Negra lança seu oitavo disco de cara nova: sem o vocalista Toni Garrido o guitarrista Da Gama, que deixaram a banda em 2008, os fundadores Lazão (bateria) e Bino (baixo) convidaram um novo vocalista, Alexandre Massau, para dar sequência ao trabalho do grupo. Primeiro álbum de inéditas desde Perto de Deus, de 2005, Que assim seja marca a volta do Cidade Negra às raízes, tanto no reggae tradicional quanto na estética do encarte do CD. O sentimento não é o de estar começando tudo de novo, e sim de renovação, explica o baterista Lazão.

Temos o privilégio de não estarmos acomodados. E isto se traduz em criatividade e vontade de fazer tudo novamente, de uma nova forma comenta Lazão. Mudança significa desafio e criatividade. Além do mais, nem sabemos o que é esperar a aposentadoria. Temos e gostamos de matar um leão a cada dia.

Após a saída de Toni Garrido para a carreira solo, o microfone foi entregue ao ex-vocalista do grupo mineiro Berimbrown, depois de seguidas audições realizadas pela banda.

O Alexandre participou de uma audição, indicado por um amigo em comum lembra Bino. Quando ele começou a cantar, a empatia foi imediata. Começamos a fazer músicas novas no ato.

Com a banda reorganizada, o trio começou a produzir o disco de forma independente, depois do fim do contrato com a gravadora Sony-BMG.

Acho que o a falta de interesse em continuar foi de ambas as partes entende Lazão. O mercado mudou e com ele também as gravadoras, que começaram a tratar questões artísticas de uma forma mais pragmática.

Enquanto muitos artistas temem a pirataria e os downloads ilegais, Bino se diz seguro sem uma grande gravadora por trás num cenário onde o público quer quase tudo de graça.

Depois de anos na estrada, sabemos um pouco melhor o caminho das pedras. Temos de investir nos novos meios de comunicação, sem deixar de dar atenção aos meios mais tradicionais.

O baixista diz que um dos maiores desafios do grupo é buscar novos caminhos para o reggae, gênero que viveu um período de apogeu nos anos 90, mas que depois desapareceu do dial.

Como vários outros estilos, o reggae teve seu apogeu e pode voltar a qualquer momento acredita Bino. De qualquer maneira, considero que a música pop agrega várias vertentes e a mídia está sempre preparada para o que tem personalidade, independente do estilo.

Tanto O Rappa quanto a Cidade Negra tiveram suas origens na Baixada Fluminense, que nos anos 80 e 90 era um celeiro de bandas novas, principalmente de rock e de heavy metal. Para o baterista, a situação hoje é bem diferente.

Melhorou porque hoje é mais fácil uma banda pobre realizar um trabalho. Os meios de produção se democratizaram observa Lazão. Com a internet, a possibilidade de ser visto também melhorou, embora os meios de chegar ao grande público ainda sejam através dos mesmos canais.

Depois de mostrar as novas músicas no Viradão Cultural carioca, no mês passado, o Cidade Negra volta a tocar na versão paulistana do evento, no próximo sábado. Um dos mais ansiosos para cair na estrada é o vocalista Alexandre Massau.

Estamos na expectativa de mostrar nosso novo show, com a certeza de que o público vai gostar, porque confiamos no que estamos fazendo torce Massau.