Tribeca Film Festival: Organização tenta expandir laços com o público

Franz Valla*, especial para o Jornal do Brasil, Jornal do Brasil

NOVA YORK - Com a première de gala do novo filme da franquia de animação do ogro verde, Shrek forever after, quarta-feira à noite no Ziegfield Theater de Nova York, foi dada a largada para a maratona de 85 longas e 47 curtas que integram a nona edição do Tribeca Film Festival e que segue até o dia 2 de maio. Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e Antonio Banderas, os nomes por trás das vozes dos personagens, se juntaram a Robert de Niro para valorizar o longo tapete vermelho que vinha da Sexta Avenida até a porta do cinema. Este e outros eventos do festival, porém, não serão vistos apenas por quem está em Manhattan.

Pela primeira vez, o festival usará novas tecnologias de streaming para que os internautas possam acompanhar as sessões e o movimento no tapete vermelho ao vivo, pelo site tribecafilm.com. A iniciativa faz parte do Tribeca Film Festival Virtual, novo empreendimento da empresa que organiza o festival, no intento de levar a mostra a qualquer parte do mundo.

Tributo à diversidade

Quem está nos EUA poderá ver os filmes desse ano atraves de canais de TV a cabo e todos poderão tambem assistir pela rede. Ao preço de US$ 45, é possível comprar um passe que dá direito a ver oito longas (Elvis e Madona, do diretor brasileiro Marcelo Laffitte incluído no pacote) e 18 curtas. Quem não puder desembolsar este valor poderá ver e participar de outros eventos gratuitamente, através de Skype, salas de bate-papo e torpedos.

Durante a coletiva de imprensa na terça-feira, o idealizador da nova estratégia de distribuição do festival e chefe criativo da organização de Tribeca, Geoff Gilmore, disse que espera imprimir uma nova marca no festival.

Nosso processo é reinventar a maneira como são feitos os festivais de cinema, e de como eles chegam ao seu público afirmou Gilmore, um egresso do revolucionário Sundance Festival. Esperamos levar o festival para pelo menos 40 milhões de pessoas, muito mais do que as salas de projeção de Manhattan poderiam acomodar.

Já Robert De Niro aproveitou sua breve participação na coletiva para lembrar um dos princípios básicos do evento:

O Tribeca Film Festival se diferencia de outros festivais por ser fundamentalmente uma mostra comunitária disse o ator e diretor. Mas a variedade dos países representados aqui refletem a natureza multiétinca de Nova York. Temos um pouco de todos esses países em cada esquina de Manhattan e de outros distritos.

A diversidade se mostra nos números. A organização do festival divulgou que foram submetidas um recorde de 5.055 películas esse ano desta seleção, apenas um filme representa o Brasil (ano passado eram quatro). Marcelo Laffitte traz Elvis e Madona, uma história de amor entre uma lésbica e um travesti, ambientada em Copacabana. A diretora brasileira Júlia Bacha compete na mostra de documentários com a produção americana Budrus (apresentado recentemente no último É Tudo Verdade, no Rio), que registra os conflitos entre judeus e palestinos em suas fronteiras.

Destaque inacabado

Grande destaque do festival, o diretor Alex Gibney, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2008 com Taxi to the dark side, agradeceu a oportunidade de ter três de seus filmes apresentados nesta edição:

É, tenho andado ocupado brincou. Lembro que Taxi to the dark side foi apresentado pela primeira vez ao público durante a edição do TFF de 2007 e no ano seguinte ganhei o Oscar. Fiquei animado ao saber que três dos meus filmes foram selecionados para serem apresentados esse ano.

Ele lembrou que um de seus filmes selecionados, Untitled the Eliot Spitzer film, sequer foi finalizado. Mesmo assim, o documentário, que retrata a ascensão e a queda do ex-governador de Nova York (deposto após o anuncio de que se encontrava com prostitutas, inclusive uma brasileira), tornou-se uma das atrações mais esperadas do festival.

Até pensei num nome para o filme, mas acho que vou deixar como está assim mesmo, sem título, porque é como já ficou conhecido disse. Acho incrível poder mostrar uma obra que ainda está em andamento.