Acervo do Professor Pardal continua sem casa

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Graças a uma indicação de Romaric Büel, o comendador português Joe Berardo, dono da maior coleção de arte do mundo, decidiu comprar em 2008 mais de 500 peças de arte popular brasileira do acervo do professor Paulo Pardal, que inclui valiosas carrancas do Rio São Francisco, algumas delas expostas nos Correios a partir de terça-feira. Decidido a deixar as obras em seu país de origem, Berardo chegou a comprar, na bucólica Barra de São João, um casarão do século 18 para fixar uma exposição permanente das obras. Mas obstáculos burocráticos da prefeitura local atrasam o projeto.

Achava importante que estas obras, por terem sido reunidas na Barra de São João, ali ficassem disse Berardo ao Jornal do Brasil, em novembro. Por enquanto, infelizmente, não vai acontecer. Mas vamos ver. Poder ser que seja lá, ou em outro lugar.

Seis meses depois, Romaric se mostra mais otimista.

Agora o prefeito diz que não vai ter problemas relata o ex-adjunto cultural. Infelizmente, ainda temos de convencer as pessoas do óbvio, ou seja, de que é importante que as obras continuem aqui e sejam um fator de desenvolvimento da Barra de São João. Algumas pessoas entendem bem, mas por enquanto ainda não há uma grande adesão.

Büel, que foi criticado por ter comprado recentemente algumas casas históricas na região, reclama da resistência provinciana daqueles que temem as iniciativas estrangeiras na preservação do patrimônio nacional.

Acusaram-me de querer comprar tudo lembra. Eu bem que gostaria de comprar tudo, porque assim poderia ajudar a preservar. O triste é que muitos daqueles que acusam os estrangeiros de quererem predar o país são aqueles que não fazem nada para preservar o patrimônio. Ou que acabam destruindo-o com uma visão a curto prazo, de aproveitar a riqueza de maneira imediatista. Assim, destroem a galinha de ovos de ouro. O olhar estrangeiro é importante para um país. Às vezes, pessoas de fora dão uma nova dimensão ao que havíamos deixado de lado. Não acontece apenas no Brasil, mas em todos os países.

A França também precisou que estrangeiros lhe ajudasse a abrir os olhos.